Mesmo com os melhores números econômicos em mais de uma década, o humor do eleitorado brasileiro segue negativo e torna incerto o desfecho da eleição presidencial de 2026. Pesquisa Quaest divulgada em 11 de março mostra que 43% dos entrevistados temem a continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 42% receiam o retorno da família Bolsonaro por meio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Economia em alta, ânimo em baixa
O país registra desemprego de 5,4% e inflação dentro da meta, mas 48% dos brasileiros avaliam que a situação econômica piorou nos últimos 12 meses, segundo o mesmo levantamento. Durante o SmartSummit 2026, realizado em 12 e 13 de março no Rio de Janeiro, o ex-deputado Christino Áureo ressaltou a divergência entre os indicadores macroeconômicos e a percepção do cidadão comum. Para ele, “os números positivos não estão sendo suficientes para mudar o sentimento da população em relação à governança”.
Independentes inclinam para Flávio
Entre os eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, Flávio Bolsonaro lidera uma eventual disputa de segundo turno: 32% a 27%. Ainda assim, 53% desse grupo o consideram “tão radical quanto os demais Bolsonaro”, enquanto apenas 28% o veem como mais moderado.
Lula enfrenta outro obstáculo: 51% desaprovam sua gestão e apenas 41% declaram “votar com certeza” nele — o pior índice registrado pelo petista nessa métrica.
Centro busca espaço, mas enfrenta barreiras
Em painel no SmartSummit, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defendeu uma candidatura de centro formada pelos governadores Carlos Massa Ratinho Jr. (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) ou Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Analistas, porém, veem pouca margem: “Cerca de 80% do eleitorado já está decidido entre dois polos”, diz Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice. Na simulação da Quaest, Ratinho Jr. aparece com 7% das intenções de voto no primeiro turno, e 38% afirmam conhecê-lo, mas não votariam nele.
Empate técnico no segundo turno
No cenário mais provável, Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 41% cada. A rejeição segue alta e equilibrada: 56% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, ante 55% que descartam Flávio. Especialistas atribuem a dificuldade de rompimento da polarização à fragmentação partidária — hoje seriam necessários 14 partidos para reproduzir a base que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mantinha com cinco siglas.
Para Noronha, apesar da tradicional vantagem do ocupante do Palácio do Planalto, o favoritismo de Lula é “instável”, pois depende tanto da evolução da economia doméstica quanto de fatores externos, como os impactos da guerra no Irã.
Metodologia
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 6 e 9 de março, contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. Registro no TSE: BR-05809/2026.
Com informações de Gazeta do Povo