Home / Economia / Sombra de nova paralisação de caminhoneiros faz Planalto temer retorno do caos logístico de 2018

Sombra de nova paralisação de caminhoneiros faz Planalto temer retorno do caos logístico de 2018

ocrente 1773956107
Spread the love

O governo federal entrou em estado de alerta diante da possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros, receoso de reviver o colapso logístico registrado em 2018, quando o país ficou parado por dez dias.

Greve de 2018: paralisação de dez dias

Iniciada em 21 de maio de 2018, a mobilização teve como estopim a alta constante do preço do diesel, impulsionada pela política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras. O modelo, adotado em julho de 2017, fazia os valores nas refinarias acompanharem as oscilações internacionais do barril de petróleo e do câmbio.

Em menos de um ano, o preço do diesel saltou 56,5%, de R$ 1,50 para R$ 2,35 por litro, com reajustes que chegavam a ocorrer diariamente. Para caminhoneiros autônomos, que operavam contratos de frete sem cláusulas de correção automática, a volatilidade tornou a atividade deficitária.

Bloqueios em estradas e impacto na economia

Rodovias de praticamente todos os estados foram bloqueadas, incluindo trechos estratégicos como a Rodovia Presidente Dutra e acessos aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). O país rapidamente enfrentou falta de combustíveis, desabastecimento de alimentos, cancelamento de voos e queda na produção industrial e agropecuária.

No auge da crise, em 27 de maio, mais de 90% dos postos de combustíveis em estados como Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal estavam sem estoque. Filas de até 12 horas se formaram nas poucas unidades que ainda vendiam gasolina ou diesel.

Consequências para a indústria e o agronegócio

A produção industrial recuou 10,9% em maio de 2018, a pior taxa mensal desde a crise de 2008. No campo, a interrupção do transporte de ração e animais provocou a morte de milhões de aves e o descarte de milhares de litros de leite.

Negociação e custo fiscal

Após seis dias de negociações intensas, o governo Michel Temer anunciou em 27 de maio um pacote estimado em R$ 13,5 bilhões para encerrar a paralisação. As medidas incluíram redução de R$ 0,46 no preço do diesel nas bombas, isenção da Cide, corte de PIS/Cofins e criação de subsídio direto ao combustível.

Também foi instituída uma tabela de frete mínimo, comemorada pelos autônomos, mas contestada por embarcadores e pela indústria no Supremo Tribunal Federal.

Efeitos na Petrobras

A intervenção federal levou ao pedido de demissão do então presidente da Petrobras, Pedro Parente. A saída provocou queda de 34,6% no valor das ações da estatal, com perda de R$ 126 bilhões em valor de mercado no auge da crise. Em 2023, a companhia abandonou oficialmente o PPI.

Com a atual ameaça de paralisação, o Planalto acompanha atentamente as demandas da categoria para evitar nova onda de bloqueios que possa repetir o impacto econômico registrado há seis anos.

Com informações de Gazeta do Povo