Arqueólogos localizaram um mikveh — tanque usado em banhos de purificação judaicos — datado de aproximadamente 2.000 anos durante escavações na área subterrânea da praça do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém.
O achado, divulgado nesta quinta-feira (19.mar.2026), oferece novos detalhes sobre o Período do Segundo Templo (516 a.C. a 70 d.C.), fase em que o ritual de imersão era prática comum entre moradores e peregrinos que se dirigiam ao Templo.
Como foi identificado
A estrutura apresenta escadas escavadas na rocha e um sistema de captação de água da chuva, características exigidas pela lei judaica para a validade do mikveh. Fragmentos de cerâmica e elementos arquitetônicos encontrados no mesmo estrato permitiram aos pesquisadores datar o local no intervalo imediatamente anterior à destruição de Jerusalém pelas tropas romanas em 70 d.C.
Escavação em área sensível
Os trabalhos ocorreram sob rígidos protocolos científicos e religiosos. Técnicas de análise estratigráfica documentaram cada camada de solo removida, procedimento fundamental em um dos sítios arqueológicos mais monitorados do mundo.
Importância histórica
Segundo os especialistas, a proximidade do tanque ao Templo reforça a ideia de que a observância das leis de pureza ritual era parte da rotina em Jerusalém antiga. O Muro das Lamentações é o remanescente mais significativo das muralhas de contenção do Segundo Templo e, desde a queda da cidade, tornou-se símbolo de fé e resistência judaica.
Para historiadores e arqueólogos, a descoberta fornece evidências materiais que complementam relatos textuais sobre práticas religiosas da época, ampliando a compreensão da vida na Jerusalém do século I.
Com informações de Gazeta do Povo