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Especialistas veem risco de impacto econômico maior que recessão de 2014-2016 com o fim da escala 6×1

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Brasília – 17.mar.2026 – Projeções de universidades, federações empresariais e centros de pesquisa indicam que a possível extinção da escala de trabalho 6×1, prioridade do governo Lula em ano eleitoral, pode gerar perdas de até 16% do Produto Interno Bruto (PIB) e elevar o custo da mão de obra em até 22% sem redução proporcional de salários.

Principais estimativas

Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre)

  • Estudo de novembro de 2024 estimou retração imediata de 2,6% do PIB com jornada de 40 horas e de 7,4% se fixada em 36 horas.
  • Nova simulação, divulgada em abril de 2025, calculou queda entre 3,8% e 6,9% do PIB; em cenário extremo, o recuo poderia chegar a 11,3%.
  • Setores mais afetados: transportes, extrativas e comércio. Apenas o agronegócio apresentou capacidade de absorção do aumento de custos.

Centro de Liderança Pública (CLP)

  • Relatório de fevereiro de 2026 aponta redução de 0,7% na produtividade por trabalhador.
  • Previsão de corte de 1,1% nos empregos formais, o equivalente a cerca de 640 mil vagas.
  • Impacto potencial de R$ 88 bilhões no PIB de 2025.

Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg)

  • Estudo de março de 2025 projeta perda de até R$ 2,9 trilhões em faturamento – 16% do PIB de 2024.
  • Possível eliminação de 18 milhões de postos de trabalho e redução de R$ 480 bilhões na massa salarial.
  • Alerta para avanço da automação e aumento da informalidade.

FecomercioSP

  • Análise estima alta de 22% no custo do trabalho sem ajuste salarial proporcional.
  • Medida afetaria 63% dos contratos formais, chegando a 92% na agricultura e 91% na construção civil.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

  • Documento de fevereiro de 2026 sustenta que o mercado poderia absorver a mudança de forma semelhante ao reajuste anual do salário mínimo.
  • Impacto operacional médio de 1% em comércio e indústria; maior efeito (6,6%) em vigilância e segurança.

Confederação Nacional do Comércio (CNC)

  • Levantamento indica necessidade de criar 980 mil vagas para manter operação do setor com jornada de 40 horas.
  • Perdas estimadas: R$ 122,4 bilhões no comércio e R$ 235 bilhões em serviços.
  • Elevação de 21% no custo do trabalho se não houver redução salarial.

Confederação Nacional da Indústria (CNI)

  • Pesquisa divulgada em 27.fev.2026 aponta perdas anuais de R$ 267 bilhões na economia.
  • Sul e estado de São Paulo seriam as regiões mais afetadas, com prejuízos de R$ 54 bilhões e R$ 95 bilhões, respectivamente.
  • Previsão de acréscimo de até 7% na folha de pagamento das empresas.

Mesmo com divergências na intensidade dos efeitos, os estudos convergem ao indicar que a redução da jornada sem corte proporcional de salários elevaria o custo por hora trabalhada, pressionando margens empresariais, preços e nível de emprego.

Com informações de Gazeta do Povo