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Delação de Daniel Vorcaro acende alerta no STF e agita Brasília

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Brasília — 17/03/2026. A ameaça de um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, provocou forte reação nos bastidores da capital federal. A possível colaboração foi apelidada de “delação do fim do mundo” pelo alcance que pode ter sobre integrantes dos Três Poderes, inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento ganhou força após Vorcaro trocar sua equipe de defesa e contratar o criminalista José Luiz de Oliveira Lima, o “Juca”, advogado conhecido por negociar colaborações judiciais de alto impacto. Dentro e fora dos tribunais, a troca é vista como um sinal claro de que o banqueiro pretende formalizar o acordo.

Pressão sobre o Supremo

Ex-coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol avalia que uma delação envolvendo Vorcaro dificilmente deixará o Judiciário de fora. “Para valer, ele terá de entregar nomes ainda mais relevantes”, disse o ex-procurador, apontando o chamado “dilema do prisioneiro”: outros investigados poderiam se antecipar e fechar seus próprios acordos.

Nos bastidores, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli são citados como possíveis alvos. O analista político Guilherme Kilter especulou que a entrega de Moraes poderia servir de “boi de piranha”, abrindo caminho para um eventual processo de impeachment e reduzindo danos à Corte e ao governo federal. Segundo Kilter, os aparelhos eletrônicos de Vorcaro conteriam mais de 300 GB de dados.

Trâmites e obstáculos

Para avançar, o acordo depende do parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e da homologação do ministro relator no STF, André Mendonça. A advogada e comentarista Fabiana Barroso destaca o desafio que o novo defensor de Vorcaro enfrentará diante do tribunal onde costuma atuar: “Juca terá de calibrar o risco de atingir a Corte que o recebe rotineiramente”.

Movimentos de imagem no STF

Enquanto a pressão aumenta, ministros buscam pautas que melhorem a percepção pública do Supremo. Entre elas estão a decisão monocrática de Flávio Dino sobre aposentadoria compulsória de juízes e o discurso de “autocontenção” do ministro Edson Fachin. Para Dallagnol, tais iniciativas não bastam diante do possível escândalo: “O STF, envolvido no maior caso bancário-financeiro da história do país, tenta fazer ‘moral washing’ para desviar o foco”.

Nos próximos dias, o avanço ou não da colaboração de Daniel Vorcaro deve determinar o alcance real da crise e o grau de exposição de autoridades em Brasília.

Com informações de Gazeta do Povo