Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou nesta sexta-feira (13) que o assessor da Casa Branca para assuntos sobre o Brasil, Darren Beattie, permaneça impedido de entrar no país até que o governo dos Estados Unidos autorize o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de seus familiares.
Em evento no Rio de Janeiro, Lula classificou a medida como ato de reciprocidade. “Aquele americano que disse que viria para cá foi proibido de entrar, enquanto não liberarem os vistos do Padilha, da esposa dele e da filha de 10 anos”, afirmou.
Visto revogado
Pouco depois do pronunciamento, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que o visto de Beattie, emitido em Washington, foi revogado. De acordo com nota do Itamaraty, a decisão baseia-se na “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita”, justificativa prevista na legislação brasileira para negar a entrada de estrangeiros.
Agenda contestada
Beattie planejava viajar ao Brasil na próxima semana para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e, paralelamente, visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Autorizada inicialmente pelo ministro Alexandre de Moraes, a visita foi revogada na quinta-feira (12) após comunicação do chanceler Mauro Vieira.
Na decisão, Moraes destacou que o encontro com Bolsonaro “não estava inserido no contexto diplomático que fundamentou a concessão do visto” e não foi comunicado previamente ao Itamaraty, podendo representar “indevida ingerência nos assuntos internos” em ano eleitoral.
Retaliação americana
O veto a Beattie ocorre após os Estados Unidos terem barrado, no ano passado, o visto de Alexandre Padilha, de sua esposa e da filha do casal. Segundo Lula, o bloqueio norte-americano desencadeou a resposta brasileira. “Padilha, você está protegido”, ironizou o presidente no mesmo evento.
Beattie é considerado colaborador próximo do presidente Donald Trump para temas relacionados ao Brasil e vinha articulando a visita de Lula à Casa Branca prevista para o fim de março.
Não há, até o momento, previsão de revisão da decisão brasileira caso o visto de Padilha não seja restabelecido.
Com informações de Gazeta do Povo