Home / Política / Suspeitas de elo entre banqueiro e ministros travam investigações no Supremo

Suspeitas de elo entre banqueiro e ministros travam investigações no Supremo

ocrente 1773095695
Spread the love

Brasília, 9 de março de 2026 – Inquéritos que miram o banqueiro Daniel Vorcaro esbarram em barreiras jurídicas dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e colocam à prova os mecanismos de controle sobre integrantes da própria Corte.

Quatro frentes de apuração

A Polícia Federal (PF) apura a atuação de uma suposta organização criminosa formada em torno de Vorcaro. O grupo, segundo os investigadores, atuaria em quatro eixos: fraudes financeiras no Banco Master, corrupção de servidores do Banco Central, lavagem de dinheiro e um núcleo dedicado a intimidar adversários e autoridades. A investigação teve origem na venda de ativos problemáticos do Banco Master para o Banco de Brasília.

Mensagens citam Alexandre de Moraes

Dados extraídos do celular de Vorcaro indicam tentativas de contato com o ministro Alexandre de Moraes para discutir a negociação do Banco Master e obter informações sobre investigações em andamento. Os arquivos também revelam um contrato de R$ 129 milhões firmado pelo banco com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. O gabinete do ministro nega qualquer irregularidade e afirma que as mensagens foram endereçadas a terceiros com nomes semelhantes.

Foro privilegiado dificulta avanço

Qualquer procedimento contra ministros do STF depende de autorização da própria Corte. Sem mensagens enviadas pelo próprio magistrado ou outros indícios diretos, a PF resiste em solicitar a abertura formal de inquérito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já arquivou pedidos anteriores, e autoridades temem um choque institucional caso insistam sem elementos considerados sólidos.

Foco também em Dias Toffoli

Relatórios policiais mencionam ligações entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, que se afastou da relatoria do caso Banco Master. Parte das provas foi obtida sem autorização judicial prévia, o que pode levar à anulação. Recentemente, o próprio STF suspendeu a quebra de sigilo de uma empresa da família de Toffoli por falta de vínculo com os crimes investigados.

Pressão parlamentar e respostas do STF

No Congresso, parlamentares tentam mapear a rede de influência do banqueiro por meio de Comissões Parlamentares de Inquérito, como as CPIs do Crime Organizado e do INSS. Contudo, o Supremo anulou dezenas de quebras de sigilo aprovadas pelos colegiados, restringindo o alcance das apurações.

Especialistas observam que a recorrente proximidade entre grandes interesses econômicos e autoridades judiciais representa risco à confiança da população nas instituições, ainda que nenhuma acusação formal tenha sido aceita até o momento.

Com informações de Gazeta do Povo