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Disputa pelo governo do Rio em 2026 esbarra em julgamentos, investigações e eleição indireta

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Rio de Janeiro – A formação das chapas para o Palácio Guanabara e para o Senado em 2026 depende de decisões da Justiça Eleitoral, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e de investigações policiais que podem alterar o quadro até 15 de agosto, prazo final para registro de candidaturas.

Direita define Ruas, mas vice-tampão ainda divide grupo

Reeleito em 2022, o governador Cláudio Castro (PL), 46 anos, está impedido de tentar novo mandato e pretende disputar uma das vagas fluminenses no Senado. Para isso, precisará deixar o cargo até abril. Como o Estado está sem vice desde a renúncia de Thiago Pampolha (maio de 2025), a Constituição estadual prevê que a Alerj escolha, em votação indireta, um governador “tampão” que ficará no posto de maio a dezembro, antes da eleição direta de outubro.

Na semana passada, Castro e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciaram a principal chapa do partido: o deputado estadual Douglas Ruas (PL), 34 anos, será o candidato ao governo, tendo o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice. Para o Senado, o PL lançou o próprio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil).

Há, porém, divergência sobre quem deve disputar a eleição indireta. Flávio Bolsonaro defende que Ruas concorra também nesse pleito, enquanto Castro prefere apoiar o secretário da Casa Civil, Nicolla Miccione. A controvérsia pode parar na Justiça porque a lei que regulamenta a eleição indireta reduz o prazo de desincompatibilização de 180 dias para 24 horas. Se o Judiciário restabelecer o período de seis meses, nem Ruas nem Miccione poderão participar e o grupo terá de buscar outro nome.

Inicialmente cotado para o governo, o delegado Felipe Curi deve concorrer a deputado federal e coordenar o programa de segurança de Ruas.

Paes tenta voltar ao Palácio Guanabara

No campo adversário, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), confirmou pré-candidatura ao governo estadual. Ele escolheu como vice a advogada Jane Reis, irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (inelegível). Para o Senado, a chapa terá a deputada federal e ex-governadora Benedita da Silva (PT); o segundo nome ainda não foi fechado.

Ameaças judiciais e policiais

Cláudio Castro é réu por suposto abuso de poder político e econômico envolvendo contratações temporárias no Ceperj e na Uerj durante a campanha de 2022. Absolvido pelo TRE-RJ, ele foi alvo de recurso do Ministério Público Eleitoral e aguarda novo julgamento no TSE, marcado para 10 de março. A relatora, ministra Isabel Gallotti, já votou pela cassação do mandato, mas o processo foi interrompido por pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira. Caso a corte confirme a condenação, Castro poderá ficar inelegível.

Outro ponto de tensão envolve o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil). Preso em dezembro de 2025 por suspeita de vazar informações à Polícia sobre operação contra o Comando Vermelho, ele foi solto dias depois por decisão da Alerj e do ministro do STF Alexandre de Moraes, mas segue afastado da presidência da Casa e usa tornozeleira eletrônica. Em fevereiro, a Polícia Federal indiciou Bacellar e mais quatro pessoas pelos mesmos fatos, o que fragiliza um dos principais aliados de Castro.

Ex-governadores voltam ao tabuleiro

O ex-governador Wilson Witzel (DC) anunciou que tentará retornar ao cargo do qual foi afastado em 2021 por impeachment. Já Anthony Garotinho deve concorrer à Câmara dos Deputados pelo Republicanos, enquanto seu filho, o prefeito de Campos dos Goytacazes Wladimir Garotinho (PP), estuda convite para migrar ao PL e coordenar a campanha presidencial de Bolsonaro no norte fluminense.

Com tantas peças em movimento e decisões judiciais pela frente, o xadrez eleitoral fluminense só deve ganhar contornos definitivos às vésperas do prazo de registro das candidaturas.

Com informações de Gazeta do Povo