Washington (EUA), 7 mar. 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado que impedirá a presença de “influências estrangeiras hostis” no Hemisfério Ocidental, incluindo o Canal do Panamá. A afirmação foi feita durante o discurso inaugural da iniciativa Escudo das Américas, realizado diante de vários chefes de Estado latino-americanos de direita, entre eles o panamenho José Raúl Mulino.
“Não vamos permitir que influências estrangeiras hostis se estabeleçam neste hemisfério, o que inclui o Canal do Panamá”, disse Trump, acrescentando que a via interoceânica é seu “canal favorito”.
O republicano apresentou o posicionamento como parte de uma versão atualizada da Doutrina Monroe, que ele rebatizou de “Doutrina Donroe”, destinada – segundo ele – a justificar ações dos EUA para proteger a região de potências extrarregionais.
Referência ao acordo de 1977
Dirigindo-se diretamente a Mulino, Trump relembrou o tratado de 1977 que transferiu gradualmente o controle do canal para o Panamá, formalizado em 1999. “Presidente do Panamá, eu amo esse canal, José. Acho que o Panamá fez o maior acordo da história. Comprou por um dólar de um dos nossos brilhantes presidentes”, afirmou, em alusão ao ex-presidente americano Jimmy Carter.
Tensões com a China
Desde o início de 2025, a relação entre Washington e a Cidade do Panamá tem enfrentado atritos. Na época, Trump ameaçou “recuperar” o canal alegando suposta influência chinesa, o que foi rejeitado pelo governo panamenho. O argumento dos EUA era de que dois dos cinco portos próximos à hidrovia eram operados por uma subsidiária do conglomerado chinês CK Hutchison – concessão anulada em 23 de fevereiro por decisão judicial definitiva.
Construído pelos Estados Unidos no começo do século XX, o Canal do Panamá permaneceu sob administração norte-americana por mais de 80 anos, até ser entregue integralmente ao Panamá em 31 de dezembro de 1999.
Com informações de Gazeta do Povo