Meios de comunicação iranianos informaram nesta semana que o país deve nomear Mojtaba Khamenei, 56 anos, para substituir o pai, aiatolá Ali Khamenei, no posto de líder supremo do Irã.
A confirmação caberá à Assembleia de Peritos, que está reunida por videoconferência em razão de bombardeios recentes em Teerã. A escolha, contudo, já provoca reações externas: Israel declarou que qualquer novo líder supremo será considerado alvo militar direto e afirmou ter forças preparadas para agir.
Rede de poder já estruturada
Mojtaba chefia, na prática, os cerca de 5 mil funcionários que compõem o escritório do pai e, segundo fontes internas, exerce influência decisiva nas principais deliberações do regime. Diferentemente de outros possíveis nomes, não dependeria de um longo período de adaptação ao cargo.
Dependência do IRGC
Apesar da formação religiosa limitada, o prestígio de Mojtaba repousa sobre a coesão do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Ele ampliou sua ascendência nas áreas de segurança ao financiar programas de mísseis e consolidou apoio desde a Guerra Irã-Iraque (1980-1988).
Perdas familiares e clima de vingança
A sucessão ocorre num cenário traumático. No ataque que vitimou Ali Khamenei, também morreram a mãe, a esposa e uma irmã de Mojtaba. Segundo fontes ouvidas pela imprensa, essas perdas podem tornar o futuro líder menos disposto a negociar com Estados Unidos e Israel.
Para firmar uma sucessão considerada dinástica e controversa, ele deverá promover expurgos de lealdade nas forças de segurança e aumentar a participação do IRGC tanto no governo quanto na economia.
Reação dos Estados Unidos
O ex-presidente Donald Trump classificou Mojtaba como “inaceitável” e “peso-leve”, além de exigir participação norte-americana no processo de nomeação.
Riscos regionais
Analistas alertam que, pressionado, Mojtaba pode recorrer a ações de alto impacto para restabelecer a dissuasão iraniana: intensificação de ataques com mísseis, escalada de grupos aliados, maior repressão interna e aceleração do programa nuclear.
Especialistas avaliam que, no médio prazo, Teerã pode buscar armamento atômico para se proteger de ofensivas externas. Caso o regime venha a ruir, Mojtaba teria condições de liderar uma insurgência.
A escolha do novo líder supremo, em plena guerra, tende a definir os rumos do conflito regional, seja pela consolidação do poder via coercão, seja pelo risco de fragmentação interna.
Com informações de Pleno.News