A nova detenção do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, ganhou espaço nos principais veículos de imprensa internacionais nesta semana. Ele foi preso pela Polícia Federal na manhã de quarta-feira, 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, menos de três meses após sua primeira captura.
A agência norte-americana Bloomberg ressaltou que a segunda prisão ocorreu após a descoberta de novas provas e listou as acusações adicionais contra o executivo. Entre os elementos citados estão mensagens de celular que indicam contatos com o senador Ciro Nogueira e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo a agência, os investigadores afirmam que Vorcaro monitorava supostos rivais — de funcionários que o estariam chantageando a jornalistas — e teria ameaçado alguns deles.
O britânico Financial Times descreveu a medida como “uma escalada significativa” na apuração de suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, que quebrou no ano passado com perdas estimadas em mais de R$ 40 bilhões, considerada a maior falência bancária do Brasil em uma geração. O jornal também mencionou indícios de vigilância ilegal, intimidação de críticos e corrupção de servidores do Banco Central, além de apontar que o escândalo pode impactar a credibilidade do STF devido à citação de ministros nas investigações.
A Associated Press informou que a Polícia Federal identificou Vorcaro como integrante de um grupo denominado “A Quadrilha”, dedicado a obter informações confidenciais, vigiar adversários e adotar “ações de intimidação” para proteger os interesses do núcleo criminoso. A agência reproduziu trecho da decisão do ministro do STF André Mendonça que fundamentou a prisão.
Já o espanhol El País classificou Vorcaro como um “magnata que está abalando a classe política brasileira” e sublinhou que o banqueiro figura no maior escândalo financeiro da história recente do país.
Com a nova prisão, Vorcaro permanece sob investigação por crimes financeiros, formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal de opositores. As apurações seguem em curso sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Com informações de Gazeta do Povo