Home / Economia / Conflito no Irã fecha Estreito de Ormuz, faz petróleo saltar 22,9% e pressiona combustíveis no Brasil

Conflito no Irã fecha Estreito de Ormuz, faz petróleo saltar 22,9% e pressiona combustíveis no Brasil

ocrente 1772724041
Spread the love

O preço internacional do petróleo disparou 22,9% em menos de 48 horas após o ataque aéreo de Estados Unidos e Israel a instalações do regime iraniano. A reação veio depois que o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, único ponto de saída do Golfo Pérsico e rota de aproximadamente um terço do petróleo mundial.

Às 13h45 de terça-feira, 3 de março de 2026, o contrato futuro do Brent para maio era negociado a US$ 82,43, alta diária de 6,4%, segundo o portal Investing.com.

Pressão nos combustíveis

No Brasil, o impacto ainda não chegou às bombas, mas a defasagem em relação ao mercado externo já preocupa. Antes da ofensiva, a gasolina vendida no país custava 11% menos que no exterior e o diesel, 25% abaixo, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e a StoneX.

Apesar de ser exportador líquido de petróleo, o Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome, além de volumes relevantes de gasolina e gás de cozinha (GLP). Com o Brent em alta, importadores privados tendem a recuar, aumentando a pressão para que a Petrobras ajuste preços.

Reflexos na inflação

Análise da XP Investimentos indica que cada avanço de 10% no Brent acrescenta 0,25 ponto percentual ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A elevação do diesel encarece o frete rodoviário e, em cadeia, os alimentos, medicamentos e produtos industrializados.

Especialistas projetam três ondas de impacto: primeiro nas bombas, depois no transporte e, por fim, nos fertilizantes importados do Oriente Médio, com possível reflexo na cesta básica já na safra 2026/27.

Risco de interferência na Petrobras

Em ano eleitoral, o salto do petróleo devolve a Petrobras ao centro do debate. Historicamente, preços elevados aumentam a pressão para que o governo contenha reajustes. Para Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), qualquer ingerência para segurar tarifas corrói a receita da companhia e ameaça sua saúde financeira.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, lembra que a estatal já acumulou dívida recorde de US$ 130 bilhões em 2015 quando tentou amortecer altas de combustíveis. Agora, segundo a XP, caso o choque se prolongue, repassar o custo ao consumidor será “questão de semanas”.

Efeitos macroeconômicos

Com petróleo caro e crescimento global mais fraco, o cenário de estagflação — inflação elevada com atividade econômica baixa — deixa de ser hipótese remota. Bruno de Moura Fernandes, da Coface, aponta que choques de commodities costumam provocar esse duplo efeito.

O real também sente a tensão geopolítica. A busca de investidores por ativos seguros fortalece o dólar e pressiona ainda mais os preços internos, observa Marcelo Mello, da SulAmérica Investimentos.

Enquanto o conflito persiste no Oriente Médio, cresce a incerteza sobre até quando o consumidor brasileiro conseguirá escapar de novos aumentos nas bombas.

Com informações de Gazeta do Povo