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Escalada dos juros, tensão no Oriente Médio e ano eleitoral minam confiança de empresários

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São Paulo, 20 de abril de 2026 – O Índice de Confiança Empresarial (ICE) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre) caiu 0,4 ponto em março e alcançou 91,9 pontos, registrando a segunda retração seguida após cinco meses de avanços.

O recuo reflete uma combinação considerada explosiva por analistas: juros básicos ainda em patamar elevado, incertezas ligadas às eleições de outubro e o agravamento da crise geopolítica no Oriente Médio desde o fim de fevereiro.

Selic alta continua como principal entrave

A taxa Selic, hoje em 14,75% mesmo após corte de 0,25 ponto percentual, permanece entre as maiores do mundo em termos nominais e reais. O mercado financeiro já projeta juro de 12,5% no fim de 2026 diante da revisão das expectativas de inflação de 3,9% para 4,3%.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), “o percentual de empresas que não pretende investir é elevado, principalmente por conta dos juros altos”, fator que limita ganhos de produtividade.

Indústria lidera o pessimismo

Em março, 23 dos 29 segmentos industriais consultados apontaram perspectivas negativas, maior número desde o início de 2025. Empresários do setor preveem queda no quadro de pessoal e adiamento de novos projetos.

A restrição ao crédito aprofunda o quadro: 62% das indústrias planejam financiar investimentos de 2026 apenas com recursos próprios, citando custos elevados e exigências de garantias pelos bancos.

Varejo e serviços sentem o peso do endividamento familiar

Além da Selic elevada, o varejo e o setor de serviços lidam com o comprometimento da renda das famílias, reduzindo a demanda efetiva, conforme observa a economista Geórgia Veloso, do FGV-Ibre.

Emprego em mínima histórica não impede percepção negativa

A taxa de desemprego caiu a 5,8% em fevereiro, menor nível desde 2012. Mesmo assim, 53,6% dos brasileiros classificam como “difícil ou muito difícil” conseguir trabalho, e voltou a crescer a fatia que espera deterioração do mercado nos próximos seis meses. A avaliação pessimista é atribuída à predominância de vagas informais e de baixa remuneração.

Petróleo perto de US$ 100 amplia riscos

O conflito no Oriente Médio sustenta o preço do barril de petróleo próximo de US$ 100, encarecendo combustíveis, logística e insumos. Para Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV-Ibre, a instabilidade externa pode limitar o efeito de eventuais quedas de juros internas.

Se a cotação permanecer alta, o Banco Central poderá estender o ciclo de juros elevados para conter a inflação importada, avaliam economistas.

Infraestrutura nada contra a maré, mas eleições geram cautela

Diferentemente da indústria, o setor de infraestrutura demonstra otimismo, impulsionado por obras públicas típicas de ano eleitoral e pela execução de contratos privados já assinados. Ainda assim, analistas alertam que períodos eleitorais costumam trazer volatilidade regulatória, o que ameaça projetos de longo prazo.

Levantamento da CNI indica que 23% dos industriais não pretendem investir em 2026 devido à combinação de incerteza econômica, custos de financiamento e pressões sobre insumos.

Com a confiança empresarial sob ataque de múltiplos flancos – política monetária rígida, cenário externo adverso e calendário eleitoral – economistas temem um freio prolongado nos investimentos, componente essencial para sustentar o crescimento do Produto Interno Bruto nos próximos anos.

Com informações de Gazeta do Povo