O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou na manhã desta quarta-feira, 4 de março de 2026, a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão foi proferida apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter solicitado mais tempo para analisar os autos e ter declarado não enxergar urgência para medidas cautelares.
Mendonça, relator do inquérito, argumentou que os documentos reunidos pela Polícia Federal (PF) apontam “indícios consistentes” de crimes graves, risco às investigações e possível ameaça a vítimas, inclusive jornalistas. Para o ministro, “a situação exige resposta imediata”.
PF aponta esquema de vigilância e intimidação
O pedido de prisão foi apresentado pela PF em 27 de fevereiro. Segundo a corporação, o grupo investigado mantinha uma estrutura própria de monitoramento e coerção para acessar ilegalmente sistemas restritos de órgãos públicos e intimidar pessoas ligadas ao caso.
As investigações indicam que Vorcaro pagava cerca de R$ 1 milhão por mês ao ex-policial Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, para obter dados sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e até da Interpol. Conversas interceptadas mostram o empresário sugerindo a vigilância de um jornalista e até agressões físicas: “quero mandar dar um pau nele”, teria escrito.
PGR contestou urgência
Ao receber o pedido da PF, Mendonça concedeu 72 horas para manifestação da PGR. No parecer, o órgão afirmou não haver “perigo iminente” que justificasse análise célere e preferiu aguardar novas provas antes de apoiar as cautelares.
O ministro rejeitou a solicitação de prorrogação, dizendo que os indícios de “crimes de gravíssima repercussão” já estavam amplamente demonstrados. Ele destacou ainda a suspeita de acesso indevido a bases sigilosas e a “concreta possibilidade” de evitar novas condutas ilícitas contra cidadãos, jornalistas e autoridades.
Outros alvos
Além de Vorcaro, tiveram a prisão decretada Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão (o “Sicário”) e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Eles são investigados por crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
Ao concluir, Mendonça afirmou que manter os investigados em liberdade “compromete diretamente a efetividade da investigação e a confiança social na Justiça penal”.
Com informações de Gazeta do Povo