Home / Política / Delegados da PF querem poder para solicitar suspeição de ministros que conduzem inquéritos

Delegados da PF querem poder para solicitar suspeição de ministros que conduzem inquéritos

ocrente 1772497208
Spread the love

Brasília — 02/03/2026. Delegados da Polícia Federal pretendem obter autorização legal para requerer, diretamente ao Judiciário, o afastamento de magistrados que supervisionam investigações, inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O tema voltou à pauta após o ministro Dias Toffoli se retirar do inquérito que apura fraudes no Banco Master.

Atualmente, somente investigados ou o Ministério Público (MP) podem solicitar a suspeição ou o impedimento de um juiz, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil. Para a categoria, a limitação impede reação rápida quando surgem indícios de falta de imparcialidade.

Pressão após relatório contra Toffoli

No início de fevereiro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório de 200 páginas descrevendo supostas ligações financeiras entre Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O ministro alegou que a corporação não tinha legitimidade para pedir sua suspeição e, em acordo firmado numa reunião interna do Supremo, deixou o caso sem que o tribunal declarasse sua imparcialidade comprometida, evitando a anulação de provas já reunidas.

Proposta ficou fora do projeto antifacção

A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) levou a ideia ao presidente da Câmara, Hugo Motta, durante a tramitação do projeto de lei antifacção, em fevereiro. O dispositivo, contudo, não entrou no texto final aprovado pelo Congresso e encaminhado à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente da ADPF, Edvandir Paiva, afirma que buscará novos parlamentares para protocolar a mudança em proposta independente. Segundo ele, delegados também deveriam recorrer de decisões judiciais que negam diligências necessárias às apurações. “Nós não somos parte, mas conduzimos a investigação e precisamos nos manifestar em juízo”, sustenta.

Resistência do Ministério Público e risco de inconstitucionalidade

Integrantes do MP rejeitam a ampliação de poderes à polícia. O procurador e especialista em Direito Penal Cesar Dario Mariano avalia que a iniciativa fere o sistema acusatório, no qual a PF investiga, o MP acusa e o juiz julga. Para o jurista, o delegado deve comunicar indícios de suspeição ao Ministério Público, que tomaria as providências cabíveis. “Não podemos reformar toda a legislação por um caso isolado”, diz.

Clima de tensão, mas sem descumprir ordens do STF

Dentro da corporação, cresce o descontentamento com decisões do STF, especialmente em inquéritos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, Paiva descarta a hipótese de policiais desobedecerem ordens judiciais: “Não recomendamos o descumprimento; quem o fizer pode ser punido e perder o cargo”.

Com a proposta ainda sem previsão de votação, delegados prometem manter a pressão no Congresso para assegurar direito formal de questionar a imparcialidade de magistrados que atuam em investigações da PF.

Com informações de Gazeta do Povo