A área técnica da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) apontou que o plano do governo Ibaneis Rocha para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB) pode colocar em risco o patrimônio de outras estatais distritais responsáveis por serviços essenciais.
O alerta foi levado pela deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, durante reunião reservada com parlamentares nesta segunda-feira (2). Segundo o parecer, a inclusão de nove imóveis públicos como garantia de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões amplia a possibilidade de “comprometimento patrimonial cruzado”, já que parte desses bens pertence à Caesb (saneamento) e à CEB Ipes (iluminação pública).
Empréstimo e aporte bilionários
O governo pediu autorização da CLDF para contratar o financiamento junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a instituições financeiras. Paralelamente, o BRB solicitou um aporte adicional de até R$ 8,86 bilhões para recompor seu capital após a operação frustrada com o Banco Master, cujo rombo pode chegar a R$ 15 bilhões.
Plano precede liquidação do Master
Documento da Procuradoria-Geral do DF, de outubro do ano passado, mostra que a estratégia de usar imóveis públicos começou cerca de um mês antes de o Banco Central (BC) liquidar o Master. Naquele momento, o BC já havia vetado a aquisição da instituição privada pelo BRB, que mesmo assim manteve R$ 12,2 bilhões em créditos considerados problemáticos.
Relógio corre até 31 de março
O BRB precisa entregar ao BC, até 31 de março, um plano de reequilíbrio patrimonial convincente. Caso contrário, poderá sofrer restrições administrativas, como impedimento para abrir novas agências e expandir operações.
Presidente fala em possível paralisação
Na reunião, Nelson de Souza advertiu que o banco pode paralisar atividades se o projeto de lei que autoriza o uso dos imóveis não for aprovado. Ele citou impactos diretos em programas sociais, no financiamento do transporte público e na circulação de crédito no Distrito Federal.
Souza afirmou que o BRB já reduziu mais de 50% das despesas, renegociou contratos e cortou patrocínios, entre eles um campeonato de vela em Dubai e iniciativas ligadas ao Aeroporto Internacional de Brasília.
A proposta agora depende da votação dos distritais. Até a publicação desta matéria, Governo do DF, CLDF e BRB não responderam aos questionamentos sobre o plano de socorro.
Com informações de Gazeta do Povo