Brasília — 02/03/2026. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil poderá sentir efeitos relevantes sobre inflação e política monetária se o petróleo ultrapassar a marca de US$ 100 por barril. Até o momento, porém, o patamar entre US$ 75 e US$ 85 é considerado administrável graças à recente valorização do real frente ao dólar.
Em evento promovido pelo jornal Valor Econômico, Ceron observou que a tensão no Oriente Médio — envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel — elevou as cotações do petróleo para cerca de US$ 80 no início do pregão internacional. “A pressão inflacionária existe, mas é limitada pela apreciação cambial significativa”, declarou.
Exportador pode lucrar
O secretário destacou que, como exportador de petróleo, o Brasil tende a colher ganhos em cenário de preços mais altos. Segundo ele, a elevação favorece a balança comercial e incrementa receitas públicas via royalties e leilões. “Dentro de limites de risco, o país está bem posicionado e é provável ganhador nesse processo”, avaliou.
Efeitos sobre juros
Ceron declarou ainda não enxergar, no nível atual das cotações, motivos para alterar a trajetória de queda da Selic conduzida pelo Banco Central. Um salto acima de US$ 100, contudo, poderia antecipar o fim do ciclo de cortes. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica em 15% na reunião de janeiro e sinalizou reduções futuras caso o cenário permaneça favorável.
Mercado cambial
No pregão desta segunda, a combinação de alta do petróleo e ações militares dos Estados Unidos e de Israel levou o dólar a recuar 2,18%, fechando a R$ 5,20.
Escalada no Oriente Médio
No sábado (28), uma ofensiva aérea conjunta de Washington e Tel Aviv contra instalações estratégicas no Irã, justificada pelo temor em relação ao programa nuclear iraniano, resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de altos comandantes militares. Teerã respondeu com disparos de mísseis contra alvos ligados aos dois países em territórios como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes.
Analistas monitoram a evolução do conflito para estimar os reflexos sobre a cotação do petróleo e, consequentemente, sobre a economia brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo