O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989, foi declarado morto neste sábado (28) após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel, segundo confirmou o presidente norte-americano Donald Trump. O anúncio foi feito poucas horas depois de bombardeios que também teriam atingido outras autoridades iranianas.
Trump classificou Khamenei como “uma das pessoas mais perversas da História” e afirmou que a morte do clérigo representa “a maior oportunidade” para que os iranianos retomem o controle do país. O republicano acrescentou que integrantes da Guarda Revolucionária estariam buscando imunidade junto a Washington.
Confusão sobre o estado de saúde
Mais cedo, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse a um canal de TV dos EUA que, “até onde se sabia”, Khamenei permanecia vivo. Autoridades israelenses, contudo, sustentaram ter eliminado o líder e ainda apontaram a possível morte do ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh, e do comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour.
A ascensão ao poder
Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, leste do Irã, Khamenei iniciou os estudos religiosos nos anos 1960, influenciado pelo pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini. Após a Revolução Islâmica de 1979, foi escolhido por Khomeini para conduzir a oração de sexta-feira em Teerã (1980) e, no ano seguinte, venceu a eleição presidencial — considerada controlada pelo clero — tornando-se o primeiro religioso a ocupar o posto.
Com a morte de Khomeini em 1989, a Assembleia dos Peritos alterou a Constituição para permitir que Khamenei assumisse o cargo vitalício de líder supremo, embora ele ainda não possuísse o grau religioso de marja. Desde então, comandou política, forças armadas e assuntos religiosos, tornando-se o mais longevo chefe de Estado do Oriente Médio contemporâneo.
Postura anti-Ocidente
A gestão de Khamenei manteve forte discurso contra Estados Unidos e Israel, financiando grupos como o Hamas e impulsionando o programa nuclear iraniano. Internamente, o regime foi acusado de suprimir opositores e restringir direitos das mulheres.
Como funciona o regime dos aiatolás
O sistema político persa combina estruturas republicanas e religiosas:
- Líder supremo – autoridade máxima do país, chefia o Estado, define política externa e comanda as Forças Armadas.
- Presidente – eleito por quatro anos, gerencia principalmente a política interna, mas tem poderes limitados pelo clero.
- Conselho dos Guardiões – formado por seis clérigos e seis juristas, revisa todas as leis aprovadas pelo Parlamento e pode vetar propostas que contrariem a Constituição ou a sharia.
- Guarda Revolucionária – força militar de elite que responde diretamente ao líder supremo e atua dentro e fora do país.
A ofensiva deste sábado provocou ainda mais tensão no Oriente Médio e levantou incertezas sobre a sucessão no Irã, enquanto Washington e Tel Aviv prometem manter pressão sobre Teerã.
Com informações de Gazeta do Povo