Brasília, 27 de fevereiro de 2026 – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que irá recorrer “em todas as instâncias possíveis” da decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que invalidou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt Participações.
A CPI investiga se o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, utilizou a Maridt para lavar dinheiro. A companhia tem como sócios José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF Dias Toffoli.
Quebra de sigilo aprovada por unanimidade
Segundo Vieira, o pedido de quebra de sigilo foi aprovado por unanimidade na comissão e fundamentado em indícios de ligação da empresa com os casos Master e Reag, além de “movimentações financeiras suspeitas”, inclusive possíveis repasses associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Manobra processual
A defesa da Maridt apresentou o pedido diretamente a Gilmar Mendes por meio de uma petição em processo arquivado em 2023, relacionado à CPI da Pandemia. O processo foi desarquivado, a petição aceita e, em seguida, a decisão da CPI considerada nula, voltando depois ao arquivo. Para o senador, trata-se de “flagrante absurdo”.
Decisão de Mendonça citada
Vieira também mencionou a decisão do ministro André Mendonça, que dispensou os irmãos Toffoli de depor na CPI, reconhecendo que a medida está em linha com a jurisprudência do STF sobre o direito de investigados de não produzirem provas contra si.
Ao concluir a nota divulgada nesta sexta-feira (27), o parlamentar declarou que o caso “é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”.
Até o momento, a Maridt Participações e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram.
Com informações de Gazeta do Povo