O senador Sergio Moro (União-PR) reagiu nesta sexta-feira (27) à decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, sociedade que tem entre os cotistas o também ministro Dias Toffoli. Em publicação nas redes sociais, Moro escreveu: “Blindagem todo mundo sabe que se escreve com G”.
A medida de Gilmar foi tomada no mesmo dia e frustrou parte dos trabalhos da CPI do Crime Organizado, instalada no Senado, que havia solicitado o acesso aos dados da companhia. Para Moro, a decisão configura “interferência indevida” nas investigações conduzidas pelo colegiado parlamentar.
Troca de farpas começou na véspera
Na quinta-feira (26), durante cerimônia pelos 135 anos do STF, Gilmar Mendes criticara a operação Lava Jato e afirmou que jornalistas teriam atuado como “ghostwriters” de Moro. “Muitos jornalistas importantes talvez até promovidos na mídia qualificada eram ghostwriters de Moro e companhia. Ele precisava mesmo de ghostwriters, porque talvez não soubesse escrever com G ou J a palavra ‘tigela’”, disse o decano.
A resposta de Moro veio menos de 24 horas depois. O ex-juiz também acusou Gilmar de tentar distrair a opinião pública da reportagem publicada pela revista britânica The Economist, intitulada “O Supremo Tribunal Federal do Brasil está envolvido em um enorme escândalo”. “Devia falar sobre ela e não sobre bobagens”, escreveu o senador no X (antigo Twitter).
Críticas à conduta do STF
O tribunal tem sido alvo de pressão de entidades de combate à corrupção, entre elas a Transparência Internacional Brasil, que cobra a adoção de um código de ética para os ministros. A organização critica ainda decisões recentes de Toffoli, envolvido no caso do banco Master, e sustenta que a corte precisa adotar maior transparência em suas ações.
Até o momento, Gilmar Mendes não comentou publicamente a nova mensagem de Sergio Moro.
Com informações de Gazeta do Povo