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Erupções ultrarrápidas explicam como diamantes alcançam a superfície intactos

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Oslo (Noruega) / Southampton (Reino Unido) – Pesquisadores das universidades de Oslo e de Southampton descobriram que erupções vulcânicas extremamente velozes, impulsionadas por gases, funcionam como “elevadores” naturais que trazem diamantes do manto terrestre até a superfície a cerca de 130 km/h, impedindo que as pedras se convertam em grafite durante a viagem de 150 quilômetros.

Diamantes nascem no manto e viajam em kimberlitos

Os diamantes se formam sob altíssimas pressões e temperaturas nas profundezas do manto, localizado abaixo da crosta. Para chegar à superfície, eles são capturados por kimberlitos — condutos vulcânicos raros que atravessam a crosta com rapidez suficiente para preservar a estrutura cristalina das gemas.

Velocidade guiada por mistura química específica

O estudo mostra que o magma portador das pedras precisa ser menos denso que as rochas vizinhas para ascender. Elementos voláteis, como água e dióxido de carbono (CO₂), reduzem a densidade do magma e atuam como “combustível”, facilitando a abertura de fendas e impulsionando a subida.

CO₂: o motor da erupção

À medida que o magma se aproxima da superfície, a pressão reduz e o CO₂ se separa do líquido, gerando uma sobrepressão capaz de lançar o material para fora em alta velocidade. Sem volume suficiente de carbono, o magma ficaria retido nas profundezas, impossibilitando a erupção.

Por que o fenômeno é raro

As erupções que transportam diamantes ocorrem apenas em circunstâncias geoquímicas específicas e, geralmente, milhões de anos depois da fragmentação de supercontinentes. Além disso, as chaminés kimberlíticas costumam surgir em porções antigas e estáveis da crosta continental, o que limita sua distribuição geográfica.

Impacto para a mineração e para a ciência

Compreender o mecanismo de elevação dos diamantes ajuda empresas de mineração a direcionar buscas para áreas de crosta antiga marcadas por antigos processos de separação continental. Ao mesmo tempo, os fragmentos de rochas trazidos à tona oferecem pistas sobre a composição e a dinâmica do interior do planeta.

O trabalho, publicado em 27 de fevereiro de 2026, reforça a importância dos voláteis na formação de erupções explosivas e esclarece por que a maior parte dos diamantes conhecidos se encontra em kimberlitos preservados em regiões cratônicas.

Com informações de Gazeta do Povo