Brasília – O governo federal pretende definir até junho de 2026 se retomará ou abandonará a construção da usina nuclear Angra 3, obra iniciada há mais de 40 anos e atualmente 67% concluída. Qualquer escolha implicará gastos bilionários.
Parada custa R$ 1 bilhão por ano
Com as atividades praticamente estagnadas, o empreendimento consome cerca de R$ 1 bilhão anuais apenas para manutenção de equipamentos, pagamento de pessoal e preservação do canteiro de obras. Desde o início do projeto já foram investidos R$ 12 bilhões, sem que a planta tenha gerado um quilowatt sequer para o sistema elétrico nacional.
Quanto custaria concluir a usina?
Estudo recente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) indica que seriam necessários mais R$ 24 bilhões para finalizar Angra 3. Caso a obra seja concluída, a energia produzida deverá sair a quase R$ 800 por megawatt-hora (MWh), valor mais que o dobro do registrado em leilões de outras fontes nos últimos anos. Para evitar repasse integral ao consumidor, o governo analisa a concessão de subsídios, que acabariam financiados por impostos ou cortes em outras áreas do Orçamento.
E se o projeto for abandonado?
Desistir também pesaria nos cofres públicos. A conta estimada varia de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, montante necessário para quitar empréstimos com bancos estatais, pagar multas contratuais e desmontar o canteiro de obras. Na prática, parar agora custa quase o mesmo que concluir.
Risco de insolvência da Eletronuclear
A indefinição ameaça as finanças da Eletronuclear, responsável por Angra 1, Angra 2 e Angra 3. Segundo a direção da estatal, sem novo aporte ou renegociação de dívidas, a empresa pode ficar sem recursos até para operar as usinas já em funcionamento, situação que pode ocorrer em poucos meses.
Entrada do grupo J&F
O impasse ganhou novo elemento após o grupo J&F, dos irmãos Batista, adquirir a participação da Eletrobras na Eletronuclear. A sociedade reduz a necessidade de recursos exclusivamente públicos, mas reacende discussões sobre possíveis favorecimentos regulatórios e o risco de que eventuais prejuízos voltem a ser cobertos pelo contribuinte.
O Palácio do Planalto deverá bater o martelo nos próximos 15 meses. Até lá, a manutenção da usina seguirá drenando R$ 1 bilhão anuais em um projeto que, terminado ou não, já se transformou em um dos maiores impasses fiscais do setor elétrico brasileiro.
Com informações de Gazeta do Povo