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Parlamento sul-coreano avalia projeto que autoriza dissolução de igrejas em caso de irregularidades

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Deputados sul-coreanos analisam um projeto de lei que pode conceder ao governo poder para solicitar a dissolução de organizações religiosas, incluindo igrejas, quando forem apontadas violações à legislação ou ao interesse público. A proposta provocou reação imediata de entidades de defesa da liberdade religiosa, que enxergam nela um risco de ingerência estatal sobre a prática da fé no país.

O que diz o texto em debate

De acordo com a redação apresentada, o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo ficaria autorizado a abrir processos administrativos contra grupos religiosos suspeitos de:

• realizar atividades fora do objetivo declarado;
• descumprir condições da licença de funcionamento;
• praticar atos considerados contrários ao interesse público.

Se o processo avançar, caberá ao Judiciário decidir sobre o encerramento definitivo da entidade.

Pontos mais polêmicos

O Artigo 37 do projeto prevê que autoridades podem exigir, com curto prazo de antecedência, relatórios financeiros e operacionais de congregações religiosas. Falhas ou atrasos na entrega desses documentos poderiam ser interpretados como falta de colaboração.

Já o Artigo 38 amplia as hipóteses de cassação de licença para casos em que a organização “viole a separação entre religião e Estado” ou “prejudique o interesse público”. Especialistas alertam que termos vagos podem abranger desde críticas a políticas governamentais até posicionamentos sobre direitos humanos, tornando possível punir uma comunidade inteira por atos de um único membro.

Contexto político e jurídico

Em dezembro, o presidente Lee Jae Myung afirmou que grupos religiosos que infringirem a Constituição devem ser extintos, citando que o governo sul-coreano já dispõe de mecanismos para iniciar tais processos. Apesar disso, juristas lembram que a Carta Magna do país garante liberdade de culto e a separação entre Estado e religião, o que deve levar qualquer mudança legal a ser contestada nos tribunais.

Exemplo internacional

Defensores da proposta mencionam o precedente japonês: em março de 2025, um tribunal do Japão atendeu a pedido do governo e ordenou a dissolução da Family Federation for World Peace and Unification (Igreja da Unificação) após denúncias de práticas de arrecadação abusivas e a repercussão do assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe.

Reações da sociedade civil

Líderes religiosos, advogados e ativistas de direitos civis sul-coreanos classificam o projeto como uma “porta aberta” para controle governamental sobre a fé. Eles argumentam que irregularidades individuais podem levar ao fechamento de templos inteiros, criando um ambiente de insegurança para todas as confissões.

Embora ainda não haja data para votação, o texto deverá enfrentar forte fiscalização pública e, possivelmente, batalhas judiciais se aprovado.

Com informações de Folha Gospel