Brasília, 24/02/2026 – O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já ajustam seus discursos de pré-campanha ao Palácio do Planalto. Enquanto o parlamentar procura se afastar da retórica polarizada e faz acenos ao eleitorado de centro, o chefe do Executivo mantém foco em benefícios sociais e na defesa de um Estado forte.
Flávio mira moderação e novos públicos
Orientado por estrategistas que identificaram resistência fora da base conservadora, Flávio Bolsonaro alterou, na última semana, o tom das redes sociais e de entrevistas. O senador:
- defendeu o combate ao racismo ao apoiar o jogador Vinícius Júnior;
- elogiou o carnaval como manifestação cultural e econômica;
- respondeu positivamente a postagens da comunidade LGBT;
- publicou, segunda-feira (23), mensagem no X usando linguagem neutra: “Gostaria de contar com todas, todos, todes, todys e todXs!”.
Nos temas econômicos, mantém a proposta de um “tesouraço” – cortes de gastos, redução de impostos e privatizações – apresentada como alternativa moderada à “motosserra” do presidente argentino Javier Milei. O parlamentar classifica o governo atual como “material vencido” e afirma que é preciso “encerrar o ciclo” petista.
Lula aposta na mobilização de sua base
Lula, por outro lado, enquadra a disputa como escolha entre projetos opostos: proteção social versus agenda liberal. Em eventos do PT, o presidente retoma o discurso de soberania nacional, defesa da democracia e ampliação de programas como transferência de renda, habitação e combate à fome. Segundo assessores, o objetivo é impedir o retorno da direita ao poder.
Especialistas veem narrativas consolidadas
Para Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia, as linhas gerais de ambos já estão definidas: Flávio procura pragmatismo e diálogo com mercado e Congresso; Lula reforça identidade histórica e tenta reduzir resistências na classe média. O diretor da consultoria Dominium, Leandro Gabiati, destaca que o principal desafio do senador é diminuir rejeição, enquanto o presidente busca manter a polarização sob controle.
Arthur Wittenberg, professor do Ibmec-DF, avalia que Lula precisará apresentar respostas claras sobre segurança pública e inflação percebida, enquanto Flávio tende a concentrar fogo em responsabilidade fiscal, combate à corrupção e crime organizado.
Cenário permanece polarizado
Analistas concordam que o ambiente político segue dividido, com eleitorado sensível a sinais ideológicos claros. O crescimento do segmento evangélico, a sensação de custo de vida alto e o desgaste de lideranças tradicionais acrescentam incertezas à disputa.
Com discursos já moldados e ajustes de intensidade previstos até 2026, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva travam um confronto que opõe continuidade e ruptura, Estado indutor e ajuste fiscal, apelo social e agenda liberal.
Com informações de Gazeta do Povo