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PF lança nova ofensiva contra entidades suspeitas de desviar R$ 6,3 bi de aposentados

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (27) mais uma etapa da Operação Sem Desconto, investigação que apura o desvio de R$ 6,3 bilhões dos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS por meio de cobranças associativas irregulares.

Autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a nova fase cumpre 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal.

Alvos da operação

As ordens judiciais miram pessoas ligadas a pelo menos seis entidades:

  • União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap)
  • Associação de Benefícios e Previdência (Abenprev)
  • Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB)
  • Master Prev
  • Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde (AASAP)
  • Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP)

Também são investigados ex-dirigentes do INSS, articuladores do esquema e líderes de associações.

Dinheiro em espécie apreendido

Durante as buscas, agentes encontraram uma mala recheada de dinheiro vivo, camuflado em pequenos sacos. O total recolhido não foi divulgado.

Como funcionava o esquema

De acordo com a PF, as entidades firmavam Acordos de Cooperação Técnica com o INSS entre 2019 e 2024 e autorizavam descontos mensais nas aposentadorias sem que os beneficiários tivessem solicitado os supostos serviços oferecidos, como assistência jurídica e descontos em farmácias.

A Controladoria-Geral da União (CGU) estima que 130 mil pessoas tenham sido lesadas. A prática só cessou em abril do ano passado, quando a primeira fase da operação determinou a suspensão dos débitos e o ressarcimento aos aposentados.

Consequências políticas

A primeira etapa da Operação Sem Desconto, em 2025, provocou a demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, acusado de receber propina para credenciar entidades. A CPMI do INSS também apontou possível ligação do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com operadores do esquema; ele nega envolvimento.

Com a ofensiva desta quarta-feira, a Polícia Federal busca aprofundar as suspeitas de organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro, além de evitar a ocultação de patrimônio obtido por meio das fraudes.

Com informações de Gazeta do Povo