Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) revelam possíveis conexões do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019, com o Brasil. Ao todo, mais de 4 mil arquivos citam o país em negociações, depoimentos e trocas de mensagens.
Conversas obtidas pelo DOJ mostram que o ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, também acusado de crimes sexuais, atuava como intermediário de Epstein no recrutamento de mulheres brasileiras. Um dos arquivos indica que, em 2016, o financista tentou comprar uma agência de modelos no Brasil para facilitar o acesso às jovens, oito anos depois de ter sido condenado pelo aliciamento de uma menor de idade.
Interesse em celebridades brasileiras
Mensagens trocadas em 2012 apontam que Epstein demonstrou curiosidade pela modelo Luma de Oliveira. Na conversa, Brunel menciona que ela tinha ligação com o empresário Eike Batista, o que desperta o interesse do financista.
Depoimento na Flórida cita viagens ao país
Entre os milhares de documentos consta um depoimento de 2010, prestado na Justiça da Flórida, no qual uma testemunha afirma que Epstein viajava com frequência ao Brasil. Segundo o relato, ele mantinha contato com uma mulher responsável por fornecer garotas, inclusive menores de idade, para fins sexuais. A recrutadora, cujo nome foi suprimido nos autos, teria trabalhado para Brunel.
Agência MC2 e morte de Brunel
Brunel cofundou a agência de modelos MC2, sediada em Miami, com apoio financeiro de Epstein. Em 2019, o jornal britânico The Guardian publicou denúncias de tráfico sexual contra o agente. Ele foi preso em 2020 e encontrado morto em uma cela em Paris, em 2022.
Planos para concurso de beleza
Em outra troca de e-mails, uma pessoa identificada como Ramsey Elkholy sugere três agências que poderiam auxiliar Epstein na organização de um concurso de beleza, indicando mais uma tentativa de aproximação com o mercado de modelos brasileiro.
As revelações fazem parte de um lote de documentos recém-liberados que seguem sendo analisados pelas autoridades e por advogados das vítimas.
Com informações de Gazeta do Povo