Brasília — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou, na quinta-feira (29), a divulgação de oito depoimentos e de uma acareação relativos à investigação sobre o Banco Master. As oitivas, gravadas em dezembro de 2025, estavam sob sigilo e foram liberadas a pedido do Banco Central (BC).
Contradição sobre origem das carteiras
Na acareação, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões opostas sobre a procedência das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) que embasaram operações de cerca de R$ 12,2 bilhões.
Vorcaro afirmou que Costa tinha conhecimento de que as carteiras não foram geradas pelo Master, mas por três instituições — Tirreno, The Pay e Cartos. Já o ex-dirigente do BRB sustentou que entendia se tratar de ativos originalmente emitidos pelo Master e posteriormente revendidos.
Fiscalização não localizou beneficiários
Diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino declarou em seu depoimento que a equipe não encontrou registros de transferência dos créditos aos beneficiários finais. Ele comparou o caso ao do Banco Cruzeiro do Sul, de 2012, dizendo que as instituições envolvidas usam valores próximos ao limite de monitoramento para burlar o controle.
Ex-presidente do BRB fala em falha documental
Questionado pela delegada da Polícia Federal Janaina Pereira Lima Palazzo sobre o risco de comprar “carteiras podres”, Costa respondeu que até hoje não há prova concreta de fraude, mas reconheceu ter recuado nas operações por falta de “padrão documental” exigido em contrato, segundo o qual as carteiras deveriam ser originadas pelo Master.
Vorcaro diz ser alvo de “escrutínio”
Indagado sobre bens no exterior, Vorcaro confirmou possuir contas e operações fora do país e alegou ter “todos os bens declarados” há anos sob acompanhamento do Banco Central. Ele também negou ter contado com ajuda de políticos para viabilizar a venda do Master ao BRB, ressaltando que, se tivesse tal apoio, “não estaria de tornozeleira” nem teria sido preso.
Toffoli questiona novas sanções
O ministro encaminhou pergunta sobre eventuais medidas adicionais contra o Master. A defesa de Aquino considerou a questão “vaga e especulativa”. O diretor explicou que comunicar indícios ao Ministério Público é obrigação legal e que o BC tem até cinco anos para abrir processo administrativo sancionador.
Ao final dos depoimentos, Vorcaro reclamou da repercussão: “O prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro”.
Com informações de Gazeta do Povo