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Após selo de terrorismo dos EUA, empresas brasileiras correm para reforçar compliance contra PCC e CV

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Brasília, 09/06/2026 – A inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos está levando companhias, bancos e investidores que atuam no Brasil a revisarem seus sistemas de controle interno. A medida, adotada pelo Departamento do Tesouro americano, submete as facções às sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e eleva o risco jurídico de qualquer transação que possa, direta ou indiretamente, envolver recursos dos dois grupos.

Pressão por due diligence mais rigorosa

Especialistas ouvidos apontam que a principal consequência da decisão será o fortalecimento de mecanismos de compliance, auditorias internas e rastreamento de parceiros comerciais. Setores historicamente suscetíveis à infiltração de recursos ilícitos — como construção civil, mercado imobiliário, distribuição de combustíveis, hotelaria e turismo — devem enfrentar cobranças adicionais para comprovar a origem do dinheiro movimentado.

Mercado financeiro já opera com padrões elevados

Segundo Hugo Queiroz, diretor de gestão da L4 Capital, os grandes bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander e BTG) mantêm estruturas robustas de monitoramento e, por isso, não demonstram preocupação imediata. Ele calcula que, embora o crime organizado movimente cerca de 2% do PIB do país, o montante não é suficiente para provocar desequilíbrio sistêmico. O impacto tende a ser maior em fintechs e bancos digitais de menor porte, que precisarão investir em tecnologia e auditoria.

O uso do Pix também entrou no debate, mas Queiroz considera “exagerados” os temores de sanções a instituições pelo simples fato de a ferramenta ser utilizada em transações ilícitas. “O Pix é só um meio de pagamento, não o responsável pela supervisão”, afirma.

Exemplo mexicano acende alerta

Caso semelhante ocorreu no México em 2025, quando suspeitas de lavagem de dinheiro para cartéis levaram autoridades locais a assumir temporariamente a administração de bancos investigados, após alertas do Tesouro dos EUA. O episódio, lembrado por analistas brasileiros, demonstra que consequências graves podem surgir mesmo antes de condenações definitivas.

Para Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, uma falha na rastreabilidade pode resultar em multas milionárias ou congelamento de ativos. “Não há motivo para pânico, mas os custos regulatórios vão subir”, diz. Ele avalia que a medida poderá ampliar a cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro.

Custo extra e oportunidade institucional

A constitucionalista Vera Chemim classifica os gastos adicionais como parte de um processo de fortalecimento institucional. Na visão dela, a participação americana limita-se ao compartilhamento de informações e tecnologias de rastreamento. “O Brasil precisa evoluir e abandonar discursos de perda de soberania”, afirma.

O economista Luiz Roberto Troster concorda que, embora a decisão tenha componente político, aprimorar controles beneficia o ambiente de negócios. Já o ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo alerta para o risco de empresas legítimas serem envolvidas em investigações sem saber da presença de recursos criminosos em suas cadeias.

A classificação dos EUA, portanto, impõe uma nova “régua” de governança ao setor privado brasileiro, exigindo processos mais sólidos de verificação de parceiros e origem de capitais a fim de evitar sanções do OFAC e reduzir a exposição ao crime organizado.

Com informações de Gazeta do Povo