A presença de autoridades e pré-candidatos na Marcha para Jesus em São Paulo, realizada na quinta-feira (30), provocou reação majoritariamente negativa nos ambientes digitais. Levantamento do Ativaweb DataLab, que examinou mais de 17 milhões de publicações nas primeiras 20 horas após o evento, indica crescimento nas queixas sobre a mistura entre religião e disputa eleitoral.
De acordo com a análise, a principal linha de debate foi a rejeição ao uso do ato religioso para projeção política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou da marcha, acumulou 51,9% de menções desfavoráveis, o maior índice entre os nomes monitorados. Internautas sintetizaram o incômodo com a frase “Marcha para Jesus ou Marcha para Bolsonaro?”, repetida em diversas postagens.
Também presente na celebração, o advogado-geral da União, Jorge Messias, registrou 48,6% de referências positivas e 15,6% negativas. Já o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, obteve o melhor desempenho: 52,1% de comentários favoráveis. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manteve menções consideradas estáveis, sem picos de aprovação ou rejeição.
Os pesquisadores destacam que parte do público evangélico passou a discutir abertamente os limites entre fé e política. Entre os pontos citados está a fala de Flávio Bolsonaro sobre “guerra espiritual” e “expulsão do mal do governo”, classificadas por usuários como uso eleitoral do discurso religioso.
A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marcha para Jesus também repercutiu. Para uma parcela dos usuários, a decisão foi vista como respeito ao princípio do Estado laico, resultando em avaliações positivas.
O Ativaweb DataLab conclui que o debate sobre religião e política tende a ganhar força conforme o país se aproxima do ciclo eleitoral de 2026, com o público conectado participando cada vez mais ativamente da discussão.
Com informações de Folha Gospel