Home / Política / Defesa de Bolsonaro solicita perícia da PF para avaliar risco de morte súbita na prisão

Defesa de Bolsonaro solicita perícia da PF para avaliar risco de morte súbita na prisão

ocrente 1768619052
Spread the love

Brasília – A equipe jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entregou nesta sexta-feira (16) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista de 39 quesitos a serem examinados pela junta médica da Polícia Federal (PF) que avaliará o estado de saúde do detento. O grupo também indicou o cirurgião Cláudio Birolini como assistente técnico no procedimento.

Nos questionamentos, os advogados pedem que os peritos indiquem se a permanência de Bolsonaro em unidade prisional representa “sofrimento evitável” e “risco concreto de morte súbita”. A defesa sustenta que o ambiente carcerário não dispõe da infraestrutura necessária para o tratamento das comorbidades apresentadas pelo ex-presidente.

Bolsonaro foi transferido na quinta-feira (15) da Superintendência da PF para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, no Distrito Federal. Antes de decidir sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária, o ministro Alexandre de Moraes determinou a realização de perícia oficial, cujo laudo deverá ser entregue em até dez dias.

Três blocos de perguntas

Os 39 quesitos foram divididos em:

  • Técnicos (8) – tratam da complexidade do quadro clínico, necessidade de acompanhamento multidisciplinar e incompatibilidade do regime prisional com o tratamento;
  • Médicos com foco em comorbidades (14) – abordam riscos relacionados a aderências intestinais, pressão intra-abdominal, pneumonia aspirativa, quedas e eventos cardiovasculares;
  • Médicos voltados a doenças crônicas e risco de morte (17) – tratam de apneia obstrutiva do sono grave, transtornos depressivos, episódios de confusão mental e pedem avaliação sobre a viabilidade de regime domiciliar.

A defesa cita enfermidades como apneia do sono grave, hipertensão arterial, doença aterosclerótica, insuficiência renal limítrofe, esofagite erosiva e soluços incoercíveis. De acordo com os advogados, medicamentos prescritos, entre eles clorpromazina e gabapentina, podem provocar sonolência, alucinações e alterações de consciência, aumentando o risco de quedas, especialmente em razão da sarcopenia e de trauma cranioencefálico recente.

Em um dos quesitos, os representantes de Bolsonaro questionam se o sistema prisional dispõe de condições para garantir uso contínuo de aparelho CPAP, dieta fracionada rigorosa, vigilância clínica permanente e atendimento imediato em emergências.

Base legal para prisão domiciliar

Ao fundamentar o pedido de regime domiciliar, a defesa cita o artigo 117 da Lei de Execução Penal e dispositivos constitucionais sobre direito à vida e à dignidade humana. O documento é assinado pelos advogados Celso Vilardi, Paulo da Cunha Bueno, Daniel Tesser e Gabriel Domingues.

Na quarta-feira (14), os mesmos advogados reiteraram pedido de prisão domiciliar humanitária, mencionando uma queda sofrida por Bolsonaro em 6 de janeiro e alegando que ele “não consegue se firmar sozinho”.

Ao autorizar a transferência para a Papudinha, Moraes permitiu a instalação de grades de proteção e barras de apoio no alojamento. A defesa informou que providenciará as adaptações.

A Procuradoria-Geral da República e os advogados do ex-presidente estão autorizados a indicar assistentes técnicos e apresentar quesitos à perícia.

Com informações de Gazeta do Povo