Os Estados Unidos apresentaram nesta semana um plano de 28 pontos para um possível acordo de paz no conflito do leste europeu, recolocando o Donbass no centro das discussões entre Ucrânia e Rússia. O documento, já em análise por Kiev e Moscou, sugere reconhecer como russas partes de Donetsk e Luhansk que permanecem sob controle ucraniano, além das áreas ocupadas desde 2014.
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que o status jurídico da Crimeia e do Donbass é decisivo para a assinatura de qualquer tratado, segundo a agência Reuters. A posição russa coincide com o interesse do Kremlin em assegurar domínio sobre uma área que reúne recursos naturais estratégicos e grande capacidade industrial.
Espinha dorsal da economia ucraniana
Conhecido como “coração industrial” da Ucrânia, o Donbass abriga setores de mineração, siderurgia, produção de aço, extração de sal e o campo de gás não explorado de Yuzivka, estimado em até 4 trilhões de metros cúbicos. Antes da guerra, dados do Center for Economics and Business Research (Reino Unido) indicavam que Donetsk e Luhansk respondiam por cerca de 15% do Produto Interno Bruto ucraniano e sustentavam parcela significativa das exportações do país.
Perder totalmente a região significaria para Kiev abrir mão de sua principal base industrial num momento em que a reconstrução nacional já é calculada em US$ 524 bilhões, conforme avaliação conjunta da ONU, Banco Mundial, Comissão Europeia e governo ucraniano. Além disso, o Donbass abriga a chamada fortress belt, rede de cidades fortificadas que sustenta a defesa ucraniana no leste desde 2014.
Interesses de Moscou
Para o Kremlin, controlar o Donbass garante acesso a minas de carvão, reservas de sal e potencial energético, além de oferecer influência direta sobre a capacidade financeira de Kiev, segundo analistas consultados pela Fox News. A pesquisadora Elina Beketova, do Center for European Policy Analysis (CEPA), afirma que a região combina vantagem militar a recursos econômicos de alto valor, tornando-a objetivo prioritário para a Rússia.
Negociações em andamento
Em publicação na Truth Social na terça-feira (25), o presidente norte-americano Donald Trump informou que o texto foi ajustado após contribuições de ambos os lados. Ele enviou o diplomata Steve Witkoff para novas conversas com Putin, enquanto o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, mantém diálogo direto com a delegação ucraniana. Trump declarou que só se reunirá pessoalmente com Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin quando o acordo estiver finalizado ou próximo disso.
As discussões ocorrem em meio à insistência russa em formalizar seu controle sobre o Donbass e à resistência de Kiev em ceder a região que concentra parte crucial de sua economia e de seus recursos naturais.
Com informações de Gazeta do Povo