A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira, 29 de outubro de 2025, mais uma resolução que condena o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba. O texto foi referendado por 165 países, recebeu 12 abstenções e registrou, pela primeira vez, sete votos contrários.
Além de Estados Unidos e Israel, tradicionalmente opositores da medida, votaram contra a resolução Argentina, Paraguai, Macedônia do Norte, Ucrânia e Hungria. Entre os que se abstiveram destacaram-se Equador, Letônia e Costa Rica.
Pressão norte-americana
Na véspera da votação, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que a apresentação anual da resolução configura “teatro político” usado por Havana para se colocar como vítima. Waltz pediu que os Estados-membros “parem de apaziguar o regime” e enviem “uma mensagem ao mundo” de que os Estados Unidos não devem ser responsabilizados por todos os problemas econômicos da ilha.
Apoio latino inédito
O posicionamento de Argentina e Paraguai quebrou a quase unanimidade que o governo cubano vinha obtendo contra as sanções. No ano passado, a resolução contou com 187 votos favoráveis e apenas dois contrários, de EUA e Israel. Após aquele resultado, o presidente argentino Javier Milei demitiu a então chanceler Diana Mondino pelo voto a favor de Cuba.
Bloqueio mantém resistência internacional
O embargo norte-americano à ilha caribenha está em vigor há 63 anos. Desde 1992, Cuba apresenta anualmente a resolução na ONU; a única exceção ocorreu em 2020, quando não houve votação em razão das restrições impostas pela pandemia de Covid-19.
A decisão da Assembleia Geral tem caráter simbólico e não obriga Washington a alterar sua política, mas serve como termômetro do sentimento da comunidade internacional sobre o tema.
Com informações de Gazeta do Povo