A defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), classificou como “mentirosa” a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 3 de setembro de 2025. O julgamento trata da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
No plenário, o advogado José Luís Lima afirmou que Cid “mente descaradamente” e alegou que o militar teria sido coagido pela Polícia Federal a firmar o acordo de colaboração. Segundo Lima, áudios divulgados pela revista Veja e mensagens trocadas entre Cid e outro advogado indicariam pressão para que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro incriminasse os demais réus.
O defensor também criticou o ministro-relator Alexandre de Moraes por não autorizar a gravação da acareação entre Braga Netto e Cid, realizada em junho, diferentemente do que ocorreu em outras audiências. “Essa delação não se sustenta”, declarou, pedindo a anulação do acordo e afirmando que as provas apresentadas contra seu cliente são “frágeis”.
Lima ainda reclamou de cerceamento de defesa por dificuldade de acesso ao material apreendido pela Polícia Federal. De acordo com ele, somente em 17 de maio – dois dias antes do início da fase de instrução – a equipe teve contato com quase todos os 70 terabytes de dados coletados, que incluem 225 milhões de mensagens, áudios e mais de 1,2 mil aparelhos celulares de 19 procedimentos diferentes.
Defesa de Paulo Sérgio Nogueira também nega participação
Na mesma sessão, o advogado Andrew Fernandes Farias representou o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa. Ele citou depoimentos do próprio Mauro Cid e do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, para sustentar que Nogueira não participou de qualquer plano golpista.
Segundo Farias, o general atuou para convencer Bolsonaro a não adotar “medidas de exceção” após a derrota eleitoral e chegou a entregar ao ex-presidente um discurso conclamando à pacificação. O defensor acrescentou que Nogueira passou a ser alvo de ataques virtuais e pressões para deixar o cargo justamente por se opor a iniciativas anti-democráticas.
Imagem: Marcelo Camargo
Farias também contestou a tese de que o relatório das Forças Armadas sobre o processo eleitoral tenha sido entregue com atraso ou apontado vulnerabilidades nas urnas eletrônicas. Ele argumentou que os comandantes militares negaram ter sofrido pressão de Nogueira para aderir a qualquer plano de ruptura institucional.
O julgamento prossegue no STF, que analisa as denúncias contra Braga Netto, Nogueira e outros réus acusados de integrar o chamado “núcleo 1” do suposto esquema golpista.
Com informações de Gazeta do Povo