Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, um tratado de cooperação nuclear que permite ao reino desenvolver um programa civil e poderá abrir caminho para o enriquecimento de urânio em território saudita.
O entendimento, conhecido como “Acordo 123”, foi firmado no Salão Oval pela manhã. O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, e o ministro de Energia saudita, Abdulaziz bin Salman, assinaram o documento, que ainda precisa ser ratificado pelo Congresso dos EUA.
Em comunicado, o governo norte-americano afirmou que o pacto se destina a “fins pacíficos”, segue os “mais altos padrões de não proliferação” e concede às empresas dos EUA preferência no fornecimento de tecnologia e serviços para o setor nuclear saudita. “Podem ter certeza de que este acordo cumpre rigorosos critérios de segurança e utiliza a melhor tecnologia nuclear desenvolvida nos Estados Unidos”, declarou Wright.
O The New York Times antecipou detalhes do acerto, informando que o texto permitiria a Riad enriquecer urânio — medida que vai além dos acordos nucleares convencionais firmados por Washington com outros parceiros, como os Emirados Árabes Unidos.
A assinatura ocorreu em meio à escalada de tensões com o Irã, rival regional da Arábia Saudita. Os EUA tentam limitar as capacidades nucleares de Teerã, que nega buscar armamento atômico.
Desde o vazamento preliminar do texto, na noite de terça-feira (21), parlamentares democratas pedem que o Congresso barre o entendimento. Os republicanos, porém, controlam ambas as casas legislativas.
De volta à Casa Branca desde 2025, o presidente Donald Trump reforçou a aproximação com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, apontado por agências de inteligência dos EUA como mandante do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018.
A Arábia Saudita permanece um dos principais aliados de Washington no Oriente Médio e tem sido alvo de ataques atribuídos ao Irã. No mesmo dia da assinatura, rebeldes houthis do Iêmen anunciaram bloqueio no mar Vermelho e afirmaram ter realizado dois ataques, um deles provocando incêndio em um petroleiro saudita.
Com informações de Gazeta do Povo