Dom Juan Abelardo Mata Guevara, de 80 anos, foi preso na Prisão de Segurança Máxima El Chipote, na capital Manágua, Nicarágua, em 29 de junho de 2026. (Foto: Captura de tela/YouTube/La Prensa Nicarágua)
O governo da Nicarágua divulgou um vídeo do bispo emérito de Estelí, Abelardo Mata, que foi detido pela polícia em junho após criticar a repressão à Igreja Católica. As imagens, veiculadas pelo canal estatal Canal 6, mostram o bispo em uma propriedade rural na província de Masaya, onde o regime afirma que ele está sob prisão domiciliar desde o início de julho, conforme informações do The Christian Post.
Na gravação, conduzida pelo parlamentar e jornalista governista Adolfo Pastrán, o bispo é visto caminhando por uma fazenda e discutindo sobre a agricultura. Quando questionado sobre seu tratamento e suas atividades diárias, o religioso mencionou as visitas de familiares e descreveu sua rotina atual.
“Sim, isso não é um problema. Aprecio o silêncio, o estudo e a oração. Estou vivendo uma vida monástica; isso é o que estou fazendo — oração e trabalho intelectual.”
Por outro lado, opositores e membros do clero no exílio criticaram a gravação, classificando-a como uma peça de propaganda. O vigário da paróquia de St. Agatha em Miami, Edwing Román, destacou que a entrevista ignora o fato de que o bispo foi abordado por viaturas policiais ao deixar uma clínica médica em Estelí, onde realizava exames de rotina em seu marcapasso. Ele argumentou que a divulgação do vídeo visa minimizar a pressão internacional, ocultando as patrulhas de segurança que restringem a liberdade de circulação de Mata.
Román também lembrou a trajetória do bispo de 80 anos e as arbitrariedades do governo.
“Ele foi mantido sob restrições e incomunicável por semanas, além de tentarem desacreditar sua reputação ao questioná-lo sobre suas propriedades. O confinamento faz parte do padrão de assédio que a Igreja na Nicarágua enfrenta.”
A detenção do bispo ocorreu em 29 de junho, e ele foi mantido em uma prisão comum por algumas horas antes de ser transferido. Em um comunicado oficial emitido em 4 de julho, o governo nicaraguense afirmou que o idoso havia retornado à sua residência em boas condições e que teria reconhecido ter sido tratado com respeito pelas forças de segurança durante as investigações sobre supostas violações legais.
A prisão provocou uma forte reação diplomática dos Estados Unidos, que exigiram a libertação imediata e incondicional do religioso. O Departamento de Estado dos EUA ressaltou que o clérigo sofre de problemas crônicos de saúde e não representa qualquer ameaça, tendo sido detido apenas por rezar publicamente pelo bispo exilado Rolando Álvarez, condenado a mais de 26 anos de prisão em 2022 e deportado para o Vaticano em 2024.
Relatórios sobre a perseguição religiosa colocam a Nicarágua na 32ª posição entre os países com maior hostilidade em relação a minorias cristãs. O governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo rotula a liderança católica como agentes desestabilizadores, intensificando a repressão contra vozes contrárias às políticas estatais.









