Um recente estudo do Hopelab e do Centro para o Digital Thriving da Universidade de Harvard revelou que muitos jovens estão optando por chatbots ao invés de interações humanas para obter apoio emocional. A pesquisa, que envolveu 30 entrevistas com adolescentes e jovens adultos, identificou a disponibilidade e a rapidez como os principais fatores para essa escolha.
Um dos relatos na pesquisa destacou uma jovem que, acordada às 4 da manhã com estresse, recorreu a um chatbot. O assistente virtual sugeriu uma técnica de grounding chamada cinco-quatro-três-dois-um, que a ajudou a se acalmar. A conveniência de ter essa ajuda disponível a qualquer hora parece ser um atrativo em comparação com a interação humana.
Estatísticas adicionais reforçam essa tendência. Um estudo da Rand indicou que 19,2% dos americanos entre 12 e 21 anos buscaram chatbots em momentos de tristeza ou estresse, uma porcentagem semelhante àqueles que consultaram profissionais de saúde mental. Outro relatório de 2026 da Common Sense Media apontou que a vulnerabilidade emocional leva os jovens a procurar essas ferramentas digitais.
Além disso, uma pesquisa do Rithm Project revelou que 61% dos adolescentes afirmaram que seus pais raramente ou nunca discutem sobre inteligência artificial, e quando o fazem, o foco está em questões como trapaça, em vez de saúde emocional.
Um estudo do MIT também observou uma relação cíclica entre solidão e uso de redes sociais. Quanto mais solitárias as pessoas se sentem, mais tempo passam nessas plataformas, o que intensifica a solidão. Essa utilização problemática da tecnologia pode levar a comportamentos aditivos e a um impacto negativo na saúde física e psicossocial.
O uso de chatbots pode ser sedutor, mas o autor Greg Cootsona compara essa prática a beber água do mar: inicialmente, parece satisfazer, mas no final, aumenta a sede. Ele ressalta a importância das relações humanas, afirmando que, embora os chatbots possam fornecer informações, são as interações humanas que oferecem calor emocional e proximidade. Um jovem entrevistado resumiu: “ChatGPT é melhor em ser completo, mas as pessoas superam a IA em calor emocional e honestidade.”
Por fim, Cootsona destaca que, apesar da facilidade oferecida pelas tecnologias, a presença física de outra pessoa pode ser transformadora. Ele compartilhou uma experiência pessoal, onde a simples presença ao lado de um amigo em um momento de ansiedade fez toda a diferença, ressaltando o valor da conexão humana em tempos de solidão.
Fonte: Christianity Today.