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Estudo aponta rejeição a discussões políticas em igrejas brasileiras

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Uma nova pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest revelou que a maior parte dos brasileiros se opõe à discussão de temas políticos em igrejas e templos religiosos. O levantamento, que entrevistou 15 mil pessoas em todo o Brasil, mostra que 80% dos fiéis são contrários à introdução de assuntos eleitorais nos espaços de culto.

O estudo, parte da série “Fiel da balança” da Folha de S.Paulo, indica que essa resistência é percebida de forma equilibrada entre católicos e evangélicos. Além disso, 90% dos participantes se mostraram contra a presença de candidatos políticos nas instituições religiosas.

Embora haja essa desaprovação generalizada, a pesquisa revelou que 11% dos entrevistados afirmaram ter recebido orientações para apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, enquanto 5% mencionaram receber indicações para Luiz Inácio Lula da Silva.

A antropóloga Lívia Reis, que coordenou a pesquisa, explica que a influência política nas igrejas não é homogênea. Segundo ela, as comunidades religiosas funcionam como redes de confiança, onde informações políticas circulam, frequentemente através de grupos de WhatsApp. “Não se trata de o pastor mandar e o fiel obedecer”, afirma Reis.

O estudo também revelou que, embora apenas uma fração dos fiéis participe de grupos religiosos nas redes sociais, aqueles que estão ativos notam uma considerável circulação de conteúdos políticos. Aproximadamente 48% dos usuários de Facebook frequentemente visualizam postagens políticas, e 34% fazem o mesmo no WhatsApp dentro de comunidades religiosas.

Esse panorama sugere uma transformação nas estratégias políticas dentro do ambiente religioso. Se antes a abordagem se limitava ao púlpito, hoje há uma ampliação do foco para a defesa de valores morais, muitas vezes destacada por influenciadores cristãos e políticos em eventos públicos. A pesquisadora Brenda Carranza observa que a atuação política nas igrejas está cada vez mais centrada em pautas identitárias.

Fonte: Gospel Mais.

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