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No Dia de Tiradentes, Zema chama STF de “vergonha moral” e desafia Gilmar Mendes em Ouro Preto

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OURO PRETO (MG) – O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), usou a cerimônia da Medalha da Inconfidência, nesta terça-feira (21), para dirigir duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, ao ministro Gilmar Mendes.

Em discurso feito no centro histórico da cidade, Zema perguntou diretamente a Mendes: “A Justiça não deveria ser cega?” A provocação ocorreu um dia depois de o magistrado ter solicitado a inclusão do nome do ex-chefe do Executivo mineiro no inquérito das fake news.

O político classificou a atual conjuntura do Judiciário como uma “profunda vergonha moral” e citou episódios que, segundo ele, colocam em dúvida a imparcialidade da Corte. Entre as acusações, mencionou um contrato de R$ 129 milhões firmado pela esposa de um ministro com um empresário investigado e afirmou que outro integrante do STF teria se tornado “grande investidor” no setor de turismo.

Zema também rebateu uma publicação recente de Gilmar Mendes nas redes sociais. O ministro chamou de “irônico” o fato de o ex-governador atacar o Supremo depois de recorrer ao tribunal para renegociar a dívida de Minas Gerais com a União. Ao público presente, o pré-candidato questionou: “Estamos, então, em débito com o STF?”

Críticas ao “ciclo colonial”

A fala de Zema recorreu a paralelos históricos. Ele lembrou a execução de Tiradentes em 1792 e comparou a cobrança do quinto — imposto de 20% que motivou a revolta — à carga tributária atual. “Hoje, o brasileiro trabalha quase metade do ano para sustentar um sistema podre e vendido”, declarou, acrescentando que “Brasília explora o Brasil como a Coroa portuguesa explorava as minas”.

Ao mencionar suspeitas de fraude no INSS, afirmou que o dinheiro do contribuinte “é drenado para sustentar uma casta de intocáveis”. Para o ex-governador, o país vive há cerca de 25 anos em “crise ética” e deve escolher “quem vai mandar no Brasil: os intocáveis de Brasília ou os brasileiros de bem”.

Tarcísio homenageado e ausência de ministro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi o principal agraciado da solenidade, recebendo o Grande Colar da Inconfidência — a mais alta honraria concedida pelo Estado mineiro. Zema elogiou a gestão paulista ao dizer que, diferentemente de Minas, “São Paulo não passou pelas mãos podres do PT”.

A cerimônia foi conduzida pelo governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que sucedeu Zema no Palácio Tiradentes. Convidado a receber a Medalha da Inconfidência, o ministro do STF André Mendonça não compareceu.

Com o ato em Ouro Preto, Romeu Zema reforçou a estratégia de ligar sua crítica ao Poder Judiciário ao imaginário da Inconfidência Mineira, aproveitando a data de 21 de abril para ampliar o enfrentamento com o STF.

Com informações de Gazeta do Povo