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Reconciliação com Michelle pode ser trunfo para Flávio Bolsonaro atrair evangélicos e mulheres

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Brasília – 25/06/2026, 17h53. Um acordo entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser considerado decisivo para os rumos da campanha presidencial do parlamentar em 2026. A avaliação é de analistas ouvidos após a divulgação, na quarta-feira (24), de um vídeo em que Michelle acusa o enteado de tê-la humilhado e relata ataques de aliados da direita.

Crise exposta e recuo nas redes

No vídeo de 27 minutos, publicado na noite de quarta (24), Michelle critica Flávio e expõe divergências internas no PL. Horas depois, o senador pediu desculpas publicamente, afirmou que nunca pretendeu ofendê-la e se disse disposto a conversar. Já na manhã de quinta (25), Michelle reduziu o tom numa nova mensagem, declarou não guardar raiva “de ninguém” e ressaltou que o objetivo comum é derrotar o PT.

Impacto eleitoral

Especialistas apontam que o apoio de Michelle é estratégico para Flávio alcançar dois grupos considerados essenciais: mulheres e eleitores evangélicos. O cientista político Elias Tavares lembra que a ex-primeira-dama “construiu liderança própria” e que um distanciamento público “quebraria a imagem de coesão” em torno do nome do senador.

Para Alexandre Bandeira, a única campanha que ganhou com a divulgação do vídeo foi a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já que o episódio expôs divisões na direita. Bandeira avalia que, se a reconciliação não se concretizar, caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à cúpula do PL atuarem para conter o desgaste.

Disputa por espaço no PL

Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, vê no episódio a demonstração de que Michelle ocupa “posição própria” dentro do partido, distinta da dos filhos de Jair Bolsonaro. Segundo ele, a ex-primeira-dama articula um projeto político para 2030, movimento que teria sido reforçado pelas divergências sobre alianças do PL no Ceará.

Carolina Venuto, da Ética Inteligência Política, avalia que a exposição pública do conflito ocorre a um mês da convenção que confirmará a candidatura de Flávio, aumentando o risco de desgaste em um momento de reorganização da direita.

Próximos passos

Analistas concordam que a entrada efetiva de Michelle na campanha de Flávio seria a maneira mais rápida de neutralizar os efeitos políticos do embate. Caso a reconciliação avance, o senador pode reforçar pontes com eleitoras e segmentos evangélicos; se o impasse persistir, a imagem de unidade, considerada vital para a eleição de 2026, permanece comprometida.

Com informações de Gazeta do Povo