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Pressão do caso Master ronda mandato de Hugo Motta, mas articulação política dificulta cassação

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Mensagens apreendidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero associam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por supostas irregularidades no Banco Master. A troca de informações indica, segundo relatório com sigilo suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o parlamentar teria solicitado a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões para uma empresa ligada à sua cunhada.

Até agora, porém, o possível envolvimento de Motta não despertou ofensiva concreta no Congresso para abrir processo de cassação. O cenário contrasta com o de 2016, quando Eduardo Cunha (então PMDB-RJ) perdeu o mandato após ser acusado de omitir contas no exterior em depoimento à CPI da Petrobras.

Rede de sustentação

Motta dispõe do apoio do Centrão e, diferentemente de Cunha, mantém boa relação com o Palácio do Planalto. Analistas políticos avaliam que, em ano eleitoral, partidos preferem evitar um confronto que possa paralisar votações e gerar desgaste adicional para o governo federal.

O que está em jogo

A PF apura se houve contrapartida parlamentar em favor de Vorcaro, hipótese que configuraria corrupção e quebra de decoro. Questionado, Motta nega irregularidades e afirma que a operação financeira “está dentro da legalidade”. O parlamentar também participou, em 2024, de uma degustação de uísque em Londres que custou cerca de US$ 641 mil (aproximadamente R$ 3 milhões à época).

Caminho para eventual cassação

Pelo Regimento Interno da Câmara, qualquer partido pode protocolar representação contra um deputado. A Mesa Diretora — presidida pelo próprio Motta — decide sobre a admissibilidade e, se aprovada, remete o caso ao Conselho de Ética. Em 2016, o STF afastou Eduardo Cunha do cargo para destravar o processo; especialistas veem possibilidade semelhante caso as provas contra Motta se fortaleçam.

O cientista político Sérgio Praça, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), estima baixa probabilidade de reação articulada contra o presidente da Câmara no curto prazo. Já Antônio Testa, da Universidade de Brasília, pondera que eventual comprovação de troca de favores aceleraria uma crise política ao envolver o governo Lula, hoje aliado do deputado.

Prazo indefinido

A Operação Compliance Zero não tem data para ser concluída. Mesmo que a investigação seja finalizada logo, o trâmite entre denúncia da Procuradoria-Geral da República e julgamento no STF pode levar até dois anos. Na Câmara, o processo que resultou na cassação de Cunha consumiu sete meses no Conselho de Ética e onze meses até chegar ao plenário.

Por ora, a combinação de base parlamentar robusta, apoio do Executivo e investigação ainda em curso mantém Hugo Motta no comando da Câmara, apesar das pressões crescentes.

Com informações de Gazeta do Povo