Brasília, 10 de maio de 2026 — A Polícia Federal investiga a aquisição de uma cobertura triplex em São Paulo, negociada por aproximadamente R$ 22 milhões pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A operação integra a “Compliance Zero”, que apura possíveis vantagens indevidas ligadas ao extinto Banco Master.
Segundo documentos obtidos pela PF, o imóvel de 514 m², com três suítes e três vagas de garagem, foi comprado pela CNLF Empreendimentos, empresa associada à família do parlamentar. Parte do pagamento foi realizada com a entrega de outro apartamento no mesmo edifício, avaliado em cerca de R$ 8 milhões, além de parcelas em dinheiro.
A negociação ocorreu menos de um mês antes de Nogueira apresentar emenda à PEC 65/2023, que elevou de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Investigadores apontam que a alteração favoreceria instituições com dificuldades de liquidez, entre elas o Banco Master, atualmente em liquidação.
Relatórios policiais indicam que o texto da emenda teria sido redigido por assessores ligados ao banco e reproduzido pelo senador. Mensagens apreendidas mostram o empresário Daniel Vorcaro comemorando que a medida “saiu exatamente como mandei”.
A PF também rastreia supostos pagamentos mensais, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, feitos pelo grupo de Vorcaro a empresas associadas a Nogueira, sob suspeita de disfarçar benefícios ilícitos. Outro ponto da investigação é a compra, por R$ 1 milhão, de participação na Green Investimentos avaliada em cerca de R$ 13 milhões, o que teria representado vantagem milionária à família do político.
Meses após adquirir o triplex, Nogueira iniciou tratativas para trocá-lo por uma casa de alto padrão no Jardim Europa, em São Paulo. O imóvel, ainda em construção, terá 878 m² e projeto do arquiteto Arthur Casas.
Na quinta-feira, 7 de maio, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Brasília e no Piauí, recolhendo veículos, malotes e documentos. A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e afirma que todos os bens foram adquiridos com recursos próprios.
Com informações de Gazeta do Povo