Brasília — 22/04/2026. Líderes da oposição acusam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de adotar tratamento desigual para duas das delações premiadas mais aguardadas dos últimos anos: a do tenente-coronel Mauro Cid e a do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmam que a delação de Cid, ex-ajudante de ordens, só foi fechada após “pressão excessiva” da Polícia Federal e do próprio Moraes, servindo de base para investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado. Já a colaboração que Vorcaro negocia é vista na oposição como ameaça direta ao ministro e a outros integrantes da Corte, motivo pelo qual, alegam, estaria sendo retardada.
Moraes libera ação que pode restringir colaborações
No início de abril, Moraes enviou ao plenário a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 919, proposta em 2021 pelo PT. O processo questiona a validade de delações firmadas por investigados presos e pede parâmetros mais rígidos para esse tipo de acordo. A medida coincidiu com o avanço das tratativas de Vorcaro para colaborar, aumentando, segundo críticos, a suspeita de “movimento coordenado” para limitar o uso da prova.
Críticas de parlamentares e ex-integrantes da Lava Jato
Para o ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), qualquer restrição a delações de presos seria um “retrocesso” no combate à corrupção. Deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Maurício Marcon (PL-RS) engrossam a crítica, lembrando que a pauta do STF avança no momento em que Vorcaro promete implicar autoridades no escândalo do Banco Master.
Acusações de “tortura psicológica” no caso Cid
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, repete em entrevistas que Cid sofreu “tortura psicológica”, com ameaças à família, para aderir ao acordo. Ele cita áudio vazado em que o militar relata ter sido orientado a seguir um roteiro previamente definido pelos investigadores.
Jurista aponta assimetria e inação do Senado
A professora de Direito Constitucional Vera Chemin avalia que a delação de Cid foi firmada “sob forte pressão” e que, no caso de Vorcaro, há obstáculos institucionais que podem proteger interesses de magistrados e do Executivo. Ela também critica o Senado por, segundo ela, não reagir a eventuais abusos do STF.
Análise sobre possível articulação no Congresso
O cientista político Antônio Flávio Testa avalia que Moraes contou com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para evitar confrontos que possam acelerar a delação de Vorcaro. Para o pesquisador, o cenário revela “atuação parcial” do ministro.
Procurada, a assessoria de Alexandre de Moraes não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Com informações de Gazeta do Povo