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Motta e Alcolumbre aceleram votações populares para afastar pressão por CPI do Banco Master

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Brasília — Sob intensa cobrança para instalar a CPI do Banco Master, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), intensificaram nesta semana a votação de projetos de forte repercussão social. A estratégia, segundo analistas políticos, busca desviar a atenção de parlamentares, imprensa e opinião pública da investigação que envolve o empresário Daniel Vorcaro e operações da instituição financeira.

Pautas em ritmo acelerado

Na Câmara, Motta colocou em tramitação a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1, além de textos que ampliam direitos para pessoas com diabetes tipo 1, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e beneficiários do BPC. No Senado, Alcolumbre avançou com a CPI da Adultização da Infância, abriu discussões sobre o teto salarial do Judiciário e deu sequência à análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.

Controle da agenda

Para o cientista político Elias Tavares, o Legislativo recorre historicamente ao controle da agenda quando enfrenta crises. “Pautas sociais geram mobilização imediata porque afetam o dia a dia das pessoas”, disse. Ele avalia que, enquanto a CPI do Banco Master não produz novos fatos, a tendência é que o tema perca espaço no noticiário.

A analista Yolanda Tolentino ressalta que a CPI provoca desconforto tanto na base governista quanto na oposição. “Quem controla a pauta controla o debate. Motta e Alcolumbre estão usando esse poder de forma coordenada”, afirmou. Segundo ela, retardar requerimentos, lotar o plenário com outros projetos e redistribuir a atenção da imprensa são recursos clássicos de gestão de crise.

Contexto pré-eleitoral

O analista Alexandre Bandeira observa que a aproximação do calendário eleitoral amplia o apelo das propostas populares. “Em anos eleitorais, o Congresso evita votações que possam gerar desgaste e privilegia medidas de impacto imediato, como correção da tabela do Imposto de Renda ou programas de renegociação de dívidas”, explicou.

Resistência à CPI

Nos bastidores, líderes partidários admitem que a criação da CPI do Banco Master esbarra em duas barreiras: a resistência das cúpulas da Câmara e do Senado e um cronograma legislativo carregado de temas econômicos e sociais para o segundo semestre. A avaliação é que, com deputados e senadores voltados a projetos de grande apelo, a investigação perde tração e pode ficar em segundo plano.

Próximos passos

A expectativa é que, até o início do período eleitoral de 2026, o Legislativo mantenha a “metralhadora giratória” de pautas populares, reduzindo a chance de criação de comissões que provoquem desgaste político. Enquanto isso, defensores da CPI do Banco Master tentam recolher apoios para levar o requerimento ao plenário.

Com informações de Gazeta do Povo