Brasília — Um áudio captado inadvertidamente durante a sessão do Senado, na noite de 29 de abril, mostrou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), antecipando a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) antes mesmo da divulgação oficial da votação.
Instantes antes de o painel eletrônico exibir o resultado, Alcolumbre inclinou-se e cochichou no ouvido do líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA): “Eu acho que vai perder por oito”. O microfone da Mesa Diretora estava ligado e transmitiu a conversa ao vivo pela TV Senado.
Quando o placar foi aberto, a previsão se confirmou: Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, diferença de oito. Para ter o nome aprovado, ele precisava de pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
A votação em plenário ocorreu poucas horas após uma sabatina de cerca de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o indicado havia obtido 16 votos a favor e 11 contra.
Em nota encaminhada à imprensa, a assessoria de Alcolumbre reconheceu que a voz captada era do presidente do Senado, explicando que ele apenas respondeu a uma pergunta de Wagner sobre a tendência de votos.
A rejeição torna Jorge Messias o primeiro indicado ao STF barrado pelo Senado desde 1894 e o primeiro a ser vetado após a Constituição de 1988. Até então, apenas cinco nomes haviam sido recusados em 135 anos de história da Corte.
Com informações de Gazeta do Povo