O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará das celebrações do Dia do Trabalhador nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026. A decisão vem depois de uma semana marcada por derrotas do governo e de seus aliados no Congresso Nacional. Na véspera, Lula fez apenas um pronunciamento em rede nacional, repetindo a ausência registrada no feriado do ano passado.
Eventos concentrados em São Paulo
Sem a presença do presidente, as centrais sindicais e partidos de esquerda concentram seus esforços na capital paulista e no ABC. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), participa de ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local que projetou Lula para a política nacional.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), divide a agenda entre São Bernardo e uma manifestação organizada pela Força Sindical no bairro da Liberdade, região central da capital. As ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), ambas pré-candidatas ao Senado, também confirmaram presença nesse último endereço.
Semana de derrotas no Senado e na Câmara
A agenda do 1º de Maio acontece logo após dois reveses significativos para o Planalto. Na terça-feira, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, quebrando uma tradição de 132 anos de aprovação automática dos nomes enviados pelo Executivo. A articulação para a rejeição foi liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
No dia seguinte, a oposição conseguiu ressuscitar o projeto que revisa a dosimetria de penas, iniciativa que pode beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro e pelo alegado plano golpista de 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Outro revés envolveu a impossibilidade de a Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) ocupar a Avenida Paulista nesta sexta-feira. O espaço foi reservado desde 2024 pelo grupo Patriotas do QG, ligado à direita.
Críticas internas
Aliado de primeira hora, o deputado André Janones (Avante-MG) criticou publicamente a escolha de Lula. Segundo ele, o presidente “perde uma oportunidade histórica” de liderar manifestações nacionais em torno da mudança da escala de trabalho 6×1, tema que o governo tenta levar ao Congresso antes das eleições municipais. Para o parlamentar, este pode ser “o último Dia do Trabalhador sob a vigência da escala atual”.
Antecedentes de baixa adesão
A última participação de Lula em um ato de 1º de Maio ocorreu em 2024, na Neo Química Arena, em São Paulo. Na ocasião, apenas 1.660 pessoas compareceram, número que irritou o presidente. Ele chegou a cobrar publicamente o então ministro Márcio Macêdo, classificando o evento como “mal convocado”.
Enquanto isso, o governo continua a negociar o fim da escala 6×1 com o Congresso, enfrentando resistência do setor produtivo, que aponta impactos negativos no Produto Interno Bruto caso a proposta avance.
Com informações de Gazeta do Povo