Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em nova etapa da pré-campanha ao Palácio do Planalto priorizando a formação de palanques regionais em estados considerados decisivos e ampliando o confronto retórico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Minas Gerais vira centro das atenções
Na segunda-feira, 1º de junho, o parlamentar iniciou agenda de três dias em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O roteiro incluiu reuniões com lideranças políticas e empresariais, participação em eventos do agronegócio e atos destinados a robustecer a pré-candidatura presidencial.
O PL trabalha para selar aliança com o Republicanos no estado, mas ainda não definiu quem encabeçará a chapa ao governo mineiro. O nome mais cotado é o do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que deve anunciar em breve se disputará o Palácio Tiradentes. Em entrevista à rádio Itatiaia, nesta terça-feira, 2, Flávio elogiou o colega e defendeu consenso: “Gostaria muito de caminhar ao lado dele aqui em Minas Gerais”.
Dirigentes também ventilam candidatura do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, hipótese que enfrenta resistência de Cleitinho.
Rio de Janeiro busca substituto para Cláudio Castro
No estado fluminense, considerado reduto eleitoral da família Bolsonaro, a preocupação é conter desgastes após o ex-governador Cláudio Castro desistir de concorrer ao Senado em meio a investigações da Polícia Federal. A vaga passou a ser disputada pelos deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante e pelo senador Carlos Portinho, todos do PL.
Aliados defendem que a indicação permaneça na legenda para manter o palanque alinhado a Flávio. A definição caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que avaliará pesquisas e o potencial de cada nome, segundo integrantes do partido.
Palanques para fortalecer bancada conservadora
Além de sustentar a candidatura ao Planalto, o PL vê a montagem dos palanques como peça-chave para ampliar a presença da direita no Congresso a partir de 2027. Em Belo Horizonte, Flávio argumentou que um Executivo de centro-direita precisa de maioria parlamentar para aprovar mudanças constitucionais e dar previsibilidade a setores como infraestrutura, licenciamento ambiental e segurança jurídica.
Escalada de críticas entre Flávio e Lula
A polarização ganhou fôlego após Lula, em discurso em Goiás, acusar o senador de “traição” por dialogar com autoridades norte-americanas sobre possível aumento de tarifas a produtos brasileiros. Flávio respondeu que pediu pessoalmente ao presidente dos EUA, Donald Trump, ao vice J. D. Vance e ao secretário de Estado Marco Rubio para que não houvesse sanções contra empresas nacionais, afirmando que o alvo das críticas seria o governo petista, não o setor produtivo.
Na semana anterior, o senador já havia demonstrado força ao participar em Curitiba do lançamento da pré-candidatura de Sergio Moro (União-PR) ao governo do Paraná, movimento interpretado pelo PL como parte da estratégia de consolidar palanques estaduais e intensificar a disputa com o Planalto.
Com informações de Gazeta do Povo