Brasília, 14 abr. 2026 – O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Junior, afirmou que a responsabilidade pela fila de 2,7 milhões de pedidos de benefícios é do Ministério da Previdência Social e de problemas tecnológicos fora de seu alcance. Waller foi demitido na segunda-feira (13).
Perícia médica no centro da controvérsia
Segundo o ex-gestor, a maioria dos segurados que aguardam há mais de 45 dias depende de perícia médica, setor controlado diretamente pelo ministério. Por isso, sustenta que o represamento não pode ser atribuído à administração do INSS.
Falhas na Dataprev e prejuízo bilionário
Uma nota técnica citada por Waller aponta que instabilidades nos sistemas da Dataprev provocaram perda de quase 3 milhões de horas de trabalho entre o fim de 2024 e o início de 2026, gerando impacto estimado em R$ 233 milhões. Ele ressalta que a presidência do instituto não tinha governança sobre esses sistemas.
Números apresentados pela gestão
Waller diz ter reduzido a fila em 1,6 milhão de processos desde que assumiu o cargo, em 2025. Em março de 2026, o órgão bateu recorde com 890 mil benefícios concedidos, segundo ele.
Comunicação da demissão
O ex-presidente relatou que não foi contatado pelo ministro da Previdência nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O aviso partiu do secretário-executivo da pasta. O único diálogo direto de alto escalão ocorreu com o advogado-geral da União, Jorge Messias, responsável por sua indicação ao posto.
Ações em curso para reduzir a fila
Para tentar acelerar a análise, o ministério organiza mutirões, amplia o uso da telemedicina, autoriza a contratação de 500 novos peritos e retoma o pagamento de bônus por desempenho a servidores que finalizam processos extras. A meta é impedir que os pedidos ultrapassem 45 dias, prazo após o qual o governo arca com correção monetária.
Waller afirma sair “de consciência tranquila”, entregando o sistema sem as falhas herdadas e com a fila menor do que encontrou.
Com informações de Gazeta do Povo