Brasília – Um dia após ser dispensado do cargo, o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Junior, responsabilizou o Ministério da Previdência Social pela fila de 2,7 milhões de pedidos que aguardam análise no órgão. A demissão ocorreu na segunda-feira (13), em meio à pressão do governo Lula para reduzir o passivo de benefícios pendentes.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na noite de segunda, Waller afirmou que “a maioria dos casos com espera superior a 45 dias depende de perícia médica, atribuição direta do ministério”. Segundo dados internos, mais de 821 mil segurados estão nessa situação.
Gestão alega redução de 1,6 milhão de requerimentos
Waller, que assumiu o comando do INSS em abril de 2025, disse deixar o posto com a fila menor do que a encontrada há um ano. Ele destaca:
- 1,6 milhão de análises concluídas em março;
- 890 mil benefícios concedidos no mesmo mês, recorde histórico;
- queda de cerca de 300 mil solicitações acumuladas desde abril de 2025.
O ex-presidente acrescentou que não foi avisado diretamente nem pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi, nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação partiu do secretário-executivo da pasta; o único contato direto recebido foi do advogado-geral da União, Jorge Messias, responsável por sua indicação ao cargo.
Falhas tecnológicas e prejuízo de R$ 233 milhões
Nota técnica do INSS citada por Waller aponta instabilidades nos sistemas fornecidos pela Dataprev entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. As falhas teriam provocado:
- mais de 1,7 milhão de pontos de abatimento sistêmico;
- aproximadamente 2,9 milhões de horas de trabalho prejudicadas;
- impacto financeiro estimado em R$ 233,3 milhões aos cofres públicos.
Ministério defende mutirões e contratação de peritos
Em nota, o Ministério da Previdência atribuiu a desaceleração da fila a medidas próprias, como:
- mutirões presenciais e uso de telemedicina;
- contratação de 500 médicos-peritos;
- implantação de novos sistemas de análise;
- retomada do bônus de desempenho a servidores;
- criação de cadastro nacional unificado para aposentadorias, auxílios-doença e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A pasta também reforçou a realização de pente-fino em benefícios já concedidos para verificar o cumprimento dos requisitos e reduzir o estoque de processos com mais de 45 dias, prazo a partir do qual há incidência de correção monetária.
Waller assumira o comando do INSS em substituição a Alessandro Stefanutto, exonerado em 2025 após suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo