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Decisões de Alcolumbre e STF paralisam investigações do Banco Master no Congresso

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Brasília – A investigação parlamentar sobre o caso Banco Master perdeu fôlego após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recusar a prorrogação por 60 dias da CPI do Crime Organizado. O colegiado, instalado em novembro de 2025, encerrará os trabalhos em 14 de abril, apesar de contar com requerimento de extensão assinado por 28 senadores, número superior ao mínimo exigido.

A decisão veio poucas semanas depois de o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar liminar do ministro André Mendonça que havia estendido a CPMI do INSS. Ambos os grupos parlamentares buscavam aprofundar as apurações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master.

Argumentos e reações no Senado

Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou a postura de Alcolumbre. “O requerimento cumpria todos os requisitos constitucionais e regimentais. É muito difícil investigar rico e poderoso no Brasil”, afirmou.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) seguiu a mesma linha e declarou que o fim prematuro da comissão “está sendo comemorado por muita gente do Congresso”. Para Girão, Alcolumbre “enterra mais uma CPI”.

Maioria passa a controlar o destino das CPIs

Especialistas veem uma mudança na dinâmica das comissões de inquérito. O auditor judicial Sthefano Cruvinel, da FGV, avalia que, mesmo com os requisitos formais garantidos, a continuidade das CPIs depende, cada vez mais, de acordos políticos. “A minoria inicia o processo, mas a maioria controla o desfecho”, disse.

O advogado Vitor Barretta, ex-procurador público, lembra que a presidência do Congresso não deveria avaliar a conveniência do tema. “A atuação da Presidência é vinculada, não discricionária”, afirmou.

Caso Master: pressões em ano eleitoral

Nos bastidores, parlamentares relatam que Alcolumbre justificou o veto à prorrogação citando o impacto político de manter investigações durante o ano eleitoral de 2026. O caso Banco Master envolve mensagens apreendidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que sugerem influência sobre políticos de diferentes partidos e até ministros do STF. A Polícia Federal, contudo, ressalta que as menções não configuram, por si só, participação em ilegalidades.

A oposição chegou a protocolar pedido de instalação de uma CPMI exclusiva sobre o Banco Master, mas o requerimento não avançou. Na Justiça, ministros do STF negaram solicitações para obrigar o Senado a criar o colegiado.

Com o encerramento da CPI do Crime Organizado e o fim da CPMI do INSS, diminui o espaço para que o Legislativo aprofunde eventuais ligações entre agentes públicos e o esquema investigado. “Vimos a maior fraude do sistema financeiro brasileiro e está tudo parado”, lamentou Girão.

Com informações de Gazeta do Povo