Pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, anunciaram em 9 de outubro de 2025 um procedimento que pode abreviar a chegada de computadores quânticos práticos. A equipe desenvolveu uma forma de preparar “estados mágicos” — componentes essenciais para a execução de operações tolerantes a falhas — diretamente no nível do qubit físico, eliminando camadas de abstração que encareciam o processo.
Redução drástica de custos e tempo
Segundo simulações numéricas apresentadas pelo grupo, a nova técnica, descrita como “destilação de estados mágicos de nível zero”, corta em dezenas de vezes a sobrecarga espacial e temporal observada em métodos tradicionais. A simplificação torna mais viável escalar a quantidade de qubits necessária para máquinas quânticas robustas.
“Sistemas quânticos sempre foram extremamente suscetíveis a ruídos”, lembrou o pesquisador principal, Tomohiro Itogawa, à revista Science Daily. Mesmo mínimas variações de temperatura ou a entrada de um único fóton externo comprometem os cálculos.
Como funciona a destilação “nível zero”
Diferentemente das abordagens convencionais, que processam os estados mágicos em camadas lógicas superiores, o método de Osaka atua diretamente no hardware. Ao otimizar a preparação logo no qubit físico, a equipe contorna erros introduzidos por cada etapa adicional de processamento.
“Queríamos descobrir se havia uma maneira de acelerar a geração de estados de alta fidelidade”, explicou Keisuke Fujii, coautor do estudo. “A destilação costumava exigir muitos qubits; agora reduzimos consideravelmente esse número.”
Rumo a computadores tolerantes a falhas
O ruído quântico é apontado pelos cientistas como o maior empecilho para a construção de máquinas de grande porte. Ao tornar os estados mágicos mais resistentes às perturbações, o avanço aproxima o setor de computadores capazes de operar mesmo em ambientes sujeitos a interferências.
A melhoria na preparação desses blocos de construção também remove um gargalo histórico: a necessidade de enormes recursos para garantir a precisão das operações. Com menos qubits e menos tempo de processamento, torna-se mais realista projetar sistemas de larga escala destinados a aplicações em finanças, biotecnologia e outras áreas que exigem poder computacional elevado.
Os autores destacam que o próximo passo é validar experimentalmente o método em plataformas quânticas já existentes, abrindo caminho para protótipos mais confiáveis e, futuramente, para computadores capazes de executar cálculos até então inviáveis.
Com informações de Gazeta do Povo